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Federal Reserve Bank dos Estados Unidos: O leão no inverno

O Federal Reserve Bank dos Estados Unidos, que é o equivalente americano de um banco central, tem sido o principal motor do crescimento econômico artificial não apenas lá, mas ao redor do mundo também. As taxas de juros em baixas históricas que estão em vigor desde 2008, criaram uma distorção na economia doméstica, que por sua vez criou bolhas em certos setores. O mesmo pode ser dito a nível internacional, onde o excesso de dólares americanos teve um efeito semelhante em vários mercados.

O uso maciço de flexibilização quantitativa (Quantitative Easing – QE), que terminou oficialmente no segundo semestre do ano passado, também levou a interrupções no crescimento econômico normal e a um declínio. É como se o Federal Reserve (Fed) estivesse revogando o ciclo normal de negócios, como se fosse parte de sua política.

Tradicionalmente, o papel do Fed tem sido a de administrar a taxa inflacionária. Em outras palavras, mantê-la sob controle. Isto tem sido assim durante todos os 100 anos que o banco existe. Em tempos mais recentes, manter o ritmo do desemprego a um nível mais baixo tornou-se uma das novas responsabilidades da instituição. Em sua configuração atual, seu papel foi ampliado enormemente, sendo que ele está cada vez mais envolvido no bem-estar financeiro e econômico da nação.

Mapa The Twelve Federal Reserve Districts, com os 12 distritos do Federal Reserve enumerados em círculos pretos e os 12 bancos do Federal Reserve marcados com quadrados pretos. Filiais dentro de cada região são marcados como círculos vermelhos. A sede localizada em Washington DC, é marcada com uma estrela em um círculo preto.

A grande expansão da oferta de dinheiro e taxas de juros excepcionalmente baixas, resultou em uma recuperação parcial do mercado imobiliário em partes do país e, um mercado acionário superaquecido. A sobrevalorização dos mercados tem uma correlação direta com a fácil disponibilidade de dinheiro e as baixas taxas de juros, durante um período de tempo prolongado.

O colapso dos métodos mais tradicionais de investimento acabaram deixando apenas dois setores em que se pode ter algum sucesso. Um deles seria o mercado de ações e, em menor medida, o imobiliário. Todos ou outros tipos de investimento têm proporcionando taxas de retorno tão baixas que tem caído em desuso pela maioria dos investidores.

Ao tentar evitar ou mitigar uma crise econômica, o Fed ajudou a criar uma bolha não só no mercado de ações, mas também com um número de empresas e instituições que terão um enorme impacto, uma vez que a economia finalmente entrar em recessão. A desaceleração do mercado imobiliário já começou e em breve será seguida por uma grande correção no mercado de ações, que poderia ser já daqui a alguns meses.

O Money Museum mostra a história do Federal Reserve Bank and também exibe moedas usadas no passado.

Em seguida a economia vai parar e a recessão vai chegar pouco depois. O Fed terá pouco espaço para manobras, uma vez que o remédio padrão para contrações no crescimento econômico são taxas de juros mais baixas. Embora este cenário de taxas ainda mais baixas é possível, o mesmo levaria a uma política monetária sem sentido. Isso se traduz em uma taxa zero, ou como é o caso de países como a Dinamarca e a Suécia, taxas de juros negativas.

Até mesmo a menção de taxas de juros mais elevadas já faz o mercado passar mal. Quando a presidente do FED (Janet Yellen) fala publicamente, a linguística do que está sendo dito é cuidadosamente estudada. Daí a controvérsia sobre a palavra “paciente”. Quando ela falou no início deste mês ela não pronunciou a tal palavra, mas foi rápida em apontar que ao removê-la, o Fed não se tornou impaciente. Taxas de juro mais elevadas são necessárias não só para trazer investimentos de volta a um ambiente mais normal, mas também para ter algumas ferramentas disponíveis quando a economia começar a azedar. Talvez já seja tarde demais para isso.

O Fed não será capaz de retornar à flexibilização quantitativa em grande escala num futuro próximo. Mesmo com uma nova recessão, a expansão da oferta de dinheiro poderia muito bem inaugurar uma era de hiperinflação. Usando da política fiscal como um remédio, com um estímulo maciço, também é improvável já que a dívida nacional já está quase incontrolável. A dívida já está em USD 18 trilhões (Dólar dos Estados Unidos), o que excede o PIB (Produto Interno Bruto) total do país.

Prédio do Federal Reserve Bank em Atlanta, Georgia

As responsabilidades não financiadas em USD 120 trilhões, são outro empecilho em qualquer novo plano de grandes gastos do governo para neutralizar os efeitos de uma economia em declínio.

O défice orçamental irá crescer rapidamente, à medida que as receitas do governo diminuem em resposta à queda do PIB. Na verdade, a única maneira que os Estados Unidos tem de ficar à frente do monstro da dívida, dado o atual clima político, é crescer muito mais rápido do que tem nos últimos 6 anos.

Portanto, quais serão as cartas que ainda estão na manga? O que o Fed será capaz de fazer para diminuir a dor da recessão? Haverá um forte incentivo político para fornecer pelo menos algum tipo de alívio, quando o desemprego e as falências começarem a subir em um mercado em contratação.

Charge de 1901 que mostra o investidor J. P. Morgan como um touro, com ávidos investidores ao seu redor.

A atual política monetária de retornar gradualmente para condições normais de mercado é, de fato, uma caminhada na corda bamba. Se movermos muito rápido, isso acarretará em grave volatilidade do mercado e uma rápida deflação nos preços dos ativos. A manutenção do atual equilíbrio vai se tornar cada vez mais difícil, a medida que o tempo para ajustes vai se esgotando. A alta do mercado (bull market) já dura mais de 6 anos e já está indo além da expectativa normal de vida, se olharmos para a história como um guia. Estamos passando pelo 4o maior bull market desde o final dos anos 40.

O mesmo é válido para a presente recuperação econômica, que é provável que esteja se dirigindo para seu próprio crepúsculo. Tudo começou em junho de 2009 e, embora tenha sido muito mais lenta do que incrementos anteriores do ciclo de negócios, está indo da 5a para a 4a maior recuperação desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com 70 meses, apenas o boom tecnológico da década de 1990, o boom da década de 1960, o boom de Reagan da década de 1980, e o boom imobiliário do início dos anos 2000 duraram mais tempo. A atual recuperação está prestes a passar de seu tempo esperado, que foi associado com o último boom no setor imobiliário, que terminou em 2007 e 2008.

Internacionalmente, o Federal Reserve inundou os mercados mundiais com trilhões de dólares americanos. Como moeda de reserva para o comércio global e as finanças, tem permitido aos EUA a possibilidade de exportar os problemas da dívida e o lento crescimento, até certo ponto. Como muitas commodities são cotadas em dólares americanos, isso acabará por criar um efeito inflacionário pois há mais dólares em circulação.

Como os Estados Unidos ainda possui a maior economia do mundo e de longe o maior poderio militar, a maior parte do mundo ainda continuará a aceitar o USD. Isso está mudando gradualmente a medida que nações e outros grupos de países começam a formar arranjos alternativos, para ir além do dólar americano e as instituições que o apoiam.

Assim, desenvolvimentos, tais como o financiamento do AIIB (Asian Infrastructure Investment Bank – Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura), que deverá ser sediado na China, estão ocorrendo sobre as objeções dos Estados Unidos. Sócios fundadores incluem países aliados aos americanos, como França, Alemanha, Itália, Coréia do Sul e Reino Unido. Além delas, outras nações também estão no negócio, como a Rússia, Índia, Cazaquistão, Tajiquistão, Nova Zelândia, Cingapura e Uzbequistão.

O Fed está cada vez mais atolado com o financiamento do enorme e crescente déficit fiscal e comercial dos Estados Unidos. O balanço está em mais de USD 4,5 trilhões de dólares, o que é uma quantidade enorme de dívidas. No início da Grande Recessão em dezembro de 2007, o Fed devia apenas $700 bilhões de dólares. Este número cresceu para o atual montante no final de 2014. Será difícil mover esta enorme soma através da economia, mesmo uma tão grande quanto a dos Estados Unidos, que tem um PIB de $17,7 trilhões.

O vício em dívidas que é exibido pelo governo americano vai continuar a atrapalhar o Fed, no que diz respeito ao seu trabalho em lidar com a declinante influência do poder financeiro e prestígio americanos no exterior. Cada vez mais, mais nações do mundo irão encontrar maneiras de contornar a presente dependência do dólar dos Estados Unidos. A menos que os Estados Unidos decida mudar de rumo e deixar sua casa fiscal em ordem, o Fed vai continuar a perder a capacidade de influenciar os acontecimentos e, portanto, manter a hegemonia americana no mercado financeiro internacional. Nas circunstâncias atuais e eventos globais em curso, o banco central dos Estados Unidos está verdadeiramente se tornando um leão no inverno.

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