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A crescente incerteza vai parar os investimentos nas fronteiras da Europa Oriental

Como a guerra na Ucrânia continua por mais um e as casualidades continuam a aumentar, há um receio crescente entre os investidores e a população em geral que o contágio da guerra civil vai se espalhar ainda mais em direção ao oeste. As nações que fazem fronteira com a Rússia, na Europa Oriental, estão ficando cada vez mais apreensivas a medida que os russos continuam a usar sua força militar, principalmente as nações bálticas. Como país que já foram membros da já extinta União Soviética, eles estão preocupados com o comportamento cada vez mais agressivo que a Rússia tem exibido na área.

A Guerra Fria (1945-1990): NATO vs. O Pacto de Varsóvia, o status das forças em 1973.

Quase toda a Europa Oriental ou era parte da antiga União Soviética ou, membros da aliança militar conhecida como Pacto de Varsóvia. Esta confederação foi reforçada com a COMECON, uma união econômica forçada que unia essas nações com a União Soviética. Estes países foram deixados com pouca margem de manobra fora das preferências soviéticas na arena internacional. O desenvolvimento econômico, político e social dessas nações foi em grande parte determinado pela liderança da União Soviética durante todo o período da Guerra Fria.

O final da década de 1980 viu o fim da opressão soviética nos países da Europa Oriental, finalmente culminando com a dissolução da própria União Soviética no final de 1991. Tal fato se tornou uma realidade política porque uma após a outra, as repúblicas da União Soviética votaram por independência, uma vez a oportunidade de fazê-lo surgiu. As Repúblicas Bálticas tinham feito isso em 1990 e, apesar dos bloqueios econômicos e ocupações militares, elas foram capazes de recuperar a sua soberania no ano seguinte. A ocupação e a anexação da década de 1940 tinha agora sido revertida.

Os países membros da OTAN

A expansão fortuita da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em 2004, que incorporou o leste da Europa, além dos países bálticos, foi feito num momento em que a Rússia e o Ocidente tinham relações cordiais. Com isto em mente, os Estados Unidos e seus aliados evitaram que materiais de guerra e tropas fossem deixados na região. Naquele momento eles acharam que não havia nenhuma razão para antagonizar a Rússia. É claro que o artigo 5º do Tratado, que incluiu a disposição de que um ataque a uma nação membro seria considerado um ataque a todas as nações pertencentes ao grupo, permaneceu em vigor.

A rápida expansão da União Europeia naquele mesmo ano, dos países da região, e a adesão da Bulgária e da Romênia em 2007, causaram grande desgosto para a Rússia. A expansão do bloco em 2004 não incluía apenas os membros do bloco soviético, mas também três ex-repúblicas da União Soviética. Elas eram a Estônia, Letônia e Lituânia, conhecidas coletivamente como as Repúblicas Bálticas.

Celebrações no Fort Saint Angelo, comemorando a entrada de Malta na União Europeia.

Houve uma grande controvérsia na época se essa expansão econômica e militar iria antagonizar a Rússia, à medida que as fronteiras da União Europeia e da OTAN marchavam cada vez mais em direção às fronteiras da antiga superpotência soviética. Os antigos países membros do Pacto de Varsóvia, em 2004, que incluíram a República Checa, Polônia e a Eslováquia, não tinha dúvidas de que seu futuro seria mais seguro com a aliança ocidental. Para ser justo, a expansão incluiu nações que estavam mais longe da influência soviética, como a Eslovênia (da ex-Jugoslávia), Chipre e Malta.

Militares georgianos deixando a Ossétia do Sul (agosto de 2008)

A sensatez da decisão de expandir para o Oriente iria ser testada em agosto de 2008, quando a Rússia invadiu o país da Geórgia, em um período em que Presidência de Bush nos Estados Unidos estava baixando a guarda. O ataque russo foi considerado como a primeira guerra européia do século 21, e fez com que duas repúblicas separatistas, a da Ossétia do Sul e da Abecásia, fossem separadas do resto da Geórgia.

A tépida resposta por parte do Ocidente acabara por encorajar os russos em seus futuros empreendimentos na Ucrânia. Para ser justo, a soberania dessas duas regiões, na sua totalidade, nunca foi claramente identificada como sendo georgiana. No entanto, a chegada das tropas russas estava claramente em violação as leis internacionais e, a subsequente ocupação das duas áreas em violação ao cessar-fogo, desde 2008, pode ser vista da mesma maneira.

O ex-presidente americano Bush quis oferecer a Geórgia e a Ucrânia a possibilidade de se associarem a OTAN, em abril de 2008, em meio às crescentes tensões com a Rússia. No entanto, a França e a Alemanha sentiram que essa ação seria uma ofensa desnecessária para a Rússia. Vladimir Putin, que era o líder da Rússia na época, já tinha afirmado que a expansão oriental da Otan seria considerada como uma ameaça à segurança russa. Assim, apesar do desejo da Geórgia e da Ucrânia em aderir à Aliança Ocidental, a iniciativa falhou. A invasão russa da Geórgia seguiria mais tarde, naquele mesmo ano.

As fronteiras da Ucrânia foram garantidas pelo Memorando de Budapeste, de 1994, em troca de suas armas nucleares, mas o tratado não foi capaz de proteger o país contra a agressão russa. Os Estados Unidos, o Reino Unido e a própria Rússia concordaram em respeitar a independência e as fronteiras existentes da Ucrânia. A Rússia iria assinar um tratado semelhante com a Bielorrússia e o Cazaquistão, ao mesmo tempo.

Em retrospecto, existem aqueles que agora lamentam que estes dois países não foram admitidos à OTAN, já que as relações entre a Rússia e o Ocidente têm azedado. A invasão russa e a anexação da Criméia, em Março de 2014, e a invasão que seguiu no sudeste da Ucrânia no mesmo ano, demonstram claramente que a Rússia tem a intenção de alterar as fronteiras que existiam no final da Guerra Fria.

Esta situação é claramente enervante para os países que fazem fronteira com a Rússia, mesmo aqueles que são partes constituintes da OTAN. Sanções econômicas e políticas ocidentais sobre a Rússia, em resposta às ações militares na Ucrânia, não conseguiram reverter a política russa na região. Na verdade, a falta de uma resposta militar pelas nações ocidentais encorajou-os ainda mais.

Existem algumas nações, especialmente aquelas com grandes populações russas como a Estônia e a Letônia, em 30% e 34%, respectivamente, que temem a chegada dos homenzinhos verdes que representaram o primeiro passo na anexação da Criméia. Os soldados que chegaram naquele país estavam vestidos com uniformes verdes sem denominação oficial. Estes homens rapidamente assumiram as funções do governo. Embora o presidente russo, Putin, tenha afirmado que um ataque russo a OTAN seria algo impensável, há um número crescente de cidadãos da Europa Oriental que perderam a fé em tais garantias.

Em azul, membros da União Europeia, em amarelo, nações adicionadas em 2004.

A decisão do presidente americano Obama, em 2009, em reverter a decisão de seu antecessor em instalar escudos de defesa antimísseis na República Checa e na Polônia, não inspira confiança na Europa Oriental. Embora possamos debater os méritos dos propostos escudos, ficou bastante claro que o chamado rearme americano nas relações com a Rússia fora um fracasso total.

Sabendo que um teste real das forças da OTAN pela Rússia seria um desastre para a política externa norte-americana, a Administração Obama, relutantemente, em conjunto com os aliados europeus decidiu armazenar tanques de batalha, veículos de infantaria, e outros equipamentos pesados; para dar suporte a até 5000 as tropas americanas no Báltico e em outras partes da Europa Oriental.

Se a OTAN seguir em frente com a nova proposta americana, será a primeira vez que os Estados Unidos terão equipamentos pesados ​​nas nações mais recentes da Aliança Ocidental. A intenção desse plano é mandar um sinal para Putin, de que os Estados Unidos pretendem manter a OTAN intacta e que as fronteiras internacionais dos países-membros permanecerão como estão.

A Ucrânia está colorida de verde, com a Criméia em preto, e Rússia em azul.

Na verdade, os países bálticos querem que os Estados Unidos enviem suas tropas para eles, mas provavelmente isso só irá acontecer depois que um novo presidente seja eleito nos Estados Unidos. Está claro que haverá um “endurecimento” sobre a opinião dos americanos com relação à OTAN, uma vez que o mandato do presidente Obama termine em janeiro de 2017.

A nova política seria uma violação do acordo de 1997 entre a OTAN e a Rússia, que proíbe o envio de tropas de combate para a Europa Oriental. Há aqueles que pensam que o envio de equipamentos por si só vai contra o acordo firmado. Os recentes movimentos militares da Rússia fez com que essas objeções parecessem menos convincentes.

Os recentes provocativos movimentos militares da força aérea e da marinha russa na região do Báltico e além, deixaram as nações nos arredores muito nervosos sobre o que poderá vir a seguir. Os avisos de que a Rússia está expandindo seu número de mísseis nucleares também é um sinal de que uma nova militarização da região está apenas começando.

Distribuição da língua russa na Estônia, de acordo com dados do Censo de 2000.

As nações da Europa Oriental já sofreram uma série de golpes com as sanções que foram colocadas sobre a Rússia, após a anexação da Criméia no ano passado. As exportações destes países para a Rússia foram interrompidas pelas sanções ocidentais, assim como por boicotes por parte dos consumidores russos e também pelo próprio governo russo. As interrupções intermitentes no abastecimento de gás natural oriundo da Rússia também tiveram impacto na região.

Desde o ano passado, uma série de empresas e investidores internacionais estão reconsiderando seus planos de realizar mais investimentos nesta parte da Europa. Eles estão baseando esta decisão no aumento da provocação russa na região e, aparentemente, na falta de determinação americana. Estas nações continuarão a precisar de investimento estrangeiro para modernizar seus países e manter o crescimento econômico.

“Os pequenos homens verdes” armados com metralhadoras PK, do lado de fora do Parlamento, em Simferopol, 14 de março de 2014

Uma política de apaziguamento já foi tentada no século passado, porém com resultados desastrosos, mas ainda assim há alguns que iriam repetir tal erro nas relações internacionais. Atualmente há uma crescente população na Europa Ocidental e nos Estados Unidos que são muito menos comprometidos com o Artigo nº5. Esta é uma boa notícia para o presidente Putin, mas é uma notícia ruim para as nações que fazem fronteira com a Rússia.

O maior perigo no momento é um erro de cálculo por parte da Rússia em relação à OTAN. Putin considera a dissolução da União Soviética como a maior catástrofe geopolítica do século 20. Ele lamenta a dissolução do COMECON e do Pacto de Varsóvia. No momento, Putin está tentando ressuscitar uma relação econômica mais forte com os antigos países da União Soviética. Se ele pudesse alcançar a desintegração parcial ou total da OTAN, isso seria um grande triunfo da política externa russa. Isso também poderia levar a uma guerra não só com uma série de países europeus, mas também com os Estados Unidos.

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