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Uma escolha para os Estados Unidos em 2016

À medida que a Administração Obama se aproxima de seus últimos dias, os americanos começam a olhar para o que está por vir. Os Estados Unidos estão em uma encruzilhada. As “férias” da política externa está chegando ao fim, com a violência e o caos chegando cada vez mais perto do território americano. Somente na semana passada ocorreram atos de terrorismo na França, no Kuwait e na Tunísia. Dois dos três alvos eram ocidentais. A fábrica que foi atacada na França era de propriedade americana. Nos Estados Unidos, enquanto a mídia persegue as últimas, quase sem sentido, notícias, a economia americana está enfrentando dificuldades cada vez maiores à medida que a dívida e as responsabilidades não cobertas continuam a subir sem parar.

Enquanto a primavera se transforma em verão no hemisfério norte, um número maior de analistas estão alertando investidores de que o mercado de ações nos Estados Unidos está sobrevalorizado, e que uma correção drástica deverá acontecer. A recuperação econômica mais lenta desde a Segunda Guerra Mundial continua se arrastando, com a participação de trabalho pairando perto da menor taxa desde 1978. Pela primeira vez desde a Grande Depressão, na década de 1930, mais empresas nos Estados Unidos estão fechando as portas do que abrindo. Isso é um grande problema, porque as pequenas empresas são os verdadeiros motores do crescimento do emprego e da riqueza nacional.

New York City, o centro financeiro dos Estados Unidos

Os americanos têm sido liderados por políticos tolos, que continuam a prometer muito mais do que pode ser entregue. O papel do dólar americano como moeda de reserva internacional, deu ao país a capacidade de imprimir dinheiro a vontade durante décadas.

O dólar financiou muitas das coisas que os americanos têm tido como certo durante anos. O país continua a pegar dinheiro emprestado a um ritmo imprudente, com a dívida superando o PIB (Produto Interno Bruto) pela primeira vez em 2013. A relativamente pouco tempo atrás, em 1974, a dívida representava somente 31,70% do PIB.

No início de 2015, a dívida nacional em relação ao PIB nos Estados Unidos era de 101,53%. Apesar do consistente discurso dado pela administração Obama de que os europeus precisam de gastar mais dinheiro afim de estimular o crescimento, a dívida de vários países já ultrapassaram níveis prudentes. A média da Zona do Euro já está em 91,90%. A França está em 95%, a Itália está cambaleando junto com os outros, com 132,10% e, a Espanha está com 97,70%.

Dívida total do Governo (bruto) como uma percentagem do PIB, pelo FMI.

As nações que são um pouco mais responsáveis fiscalmente, como a Alemanha, têm reduzido sua dívida em relação ao PIB, para 74,70% no caso dos alemães. A Holanda está em 68,80%, a Suíça está em 34,20% e o Reino Unido, em 89,40%.

Os ingleses se deram conta de que uma dívida excessiva irá prejudicar o crescimento futuro. O recém-eleito governo conservador não está atacando os gastos de forma agressiva. É importante notar que o Reino Unido teve o crescimento mais rápido nas nações do G-7 no ano passado. O mesmo acontece na Alemanha, onde foi alcançado um equilíbrio orçamental primário. É quando as despesas igualam as receitas fiscais menos os pagamentos de dívida.

Nos Estados Unidos, a administração Obama prevê déficits orçamentários e, portanto, acumulação de dívidas tão longe quanto os olhos podem ver. Eles nem sequer pensam na hipótese de tentar fazer a nação viver dentro de seus meios. O Presidente se gaba sobre a redução do défice orçamental anual em 50%, após défices acumulados de mais de 1 trilhão de dólares por ano, durante grande parte de seu mandato. Os Estados Unidos chegaram a cobriram 40% das suas despesas com empréstimos, em certo momento durante o primeiro mandato do presidente. Embora possamos argumentar que esse enorme acúmulo de dívidas foi necessário por causa da Grande Recessão, de acordo com a maioria dos especialistas aquela calamidade econômica supostamente terminou em 2009. O défice nesse ano atingiu $1,4 trilhões de dólares.

O Federal Reserve Bank, o equivalente a um banco central, tem mantido as taxas de juros perto de zero e injetou enormes montantes de liquidez na economia. Isso foi feito através de uma agressiva política de flexibilização quantitativa (QE), que apelou para a compra de trilhões de dólares em títulos hipotecários e dívida pública.

Embora a flexibilização quantitativa tenha oficialmente terminado em 2014, a frouxa política monetária ainda está em vigor. Quando as taxas de juros finalmente subirem, como elas eventualmente devem fazer, os juros sobre a dívida irá absorver uma percentagem cada vez maior da riqueza nacional. O governo dos Estados Unidos já está gastando $246 bilhões de dólares por ano em juros. Quando as taxas finalmente subirem, nos próximos anos é possível que o governo estará gastando mais no serviço da dívida do que com a defesa nacional.

Dívida federal dos EUA como uma percentagem do PIB, de 1790 a 2013, e projetada até 2038.

A dívida nacional dos Estados Unidos está agora em $18,286 trilhões de dólares e subindo rapidamente. Isso é o equivalente a mais de $154 mil dólares por contribuinte. No entanto, os líderes do governo agem como se os gastos pudessem continuar indefinidamente.

Na verdade, um novo programa do governo extremamente caro foi iniciado no ano de 2010. Pode-se debater os méritos do Affordable Care Act, também conhecido como Obama Care, mas uma coisa é certa; este programa não é viável dada a atual taxa de tributação que existe nos Estados Unidos. Impostos mais baixos, junto com o aumento das despesas, tem aumentado os défices, assim como a dívida nacional.

A irresponsabilidade de propor mais gastos sem uma fonte de receitas, tornou-se prática comum entre grande parte dos políticos de Washington. Como candidato, o presidente Obama havia criticado a administração Bush por gastos imprudentes, que tinham acumulado um déficit de $163 bilhões em 2007, e que cresceu para $485 bulhões de dólares em 2008. Até o início do novo ano fiscal, em outubro do mesmo ano, outros $100 bilhões foram adicionados, devido a uma queda das receitas e ao aumento dos gastos com a recessão. O total de $485 bilhões de dólares foi o déficit oficial nos meses finais da Administração Bush.

Riscos devido ao aumento da despesa com programas sociais, de acordo com projeções do GAO sobre tendências futuras.

Outros $700 bilhões foram gastos através TARP (Trouble Asset Relief Program – um programa do governo dos Estados Unidos para comprar ativos e patrimônio líquido de instituições financeiras para reforçar o seu setor financeiro). Isto aumentou o déficit para $1,3 trilhões de dólares. Este é o número que a administração Obama continua a divulgar para o público. O que eles não falam é que de acordo com as regras do orçamento federal, os empréstimos são tratados como uma parte regular de gastos.

Até o início de 2010, $500 bilhões do total já haviam sido pagos e o restante estava amarrado na AIG, Fannie Mae e Freddie Mac. Portanto, no máximo, o déficit real era de $800 bilhões.

Foi o presidente Obama que acrescentou um adicional de $300 bilhões em gastos na forma de estímulos para esse ano. Outras despesas que foram acrescidas, junto com a queda das receitas, elevaram o total do défice de 2009 para mais de $1,4 trilhões de dólares. Outros $500 bilhões em gastos com estímulos foram programados para os próximos anos, como parte do pacote de 2009. Esta despesa adicional não tinha nada a ver com a Administração Bush, que terminou seu mandato em janeiro de 2009.

Os gastos continuam de forma imprudente, com despesas que estavam sendo geradas com a realização dos objetivos da política externa americana sendo substituídas por uma nova rodada de benefícios. O que os americanos normalmente ouvem, é que a hiperativa política externa dos anos Bush não foi realmente paga. Isso é até verdade, assim como também não foram os grandes estímulos e os novos gastos com benefícios promovidos pela Administração Obama. Os americanos escutam toda hora a discursos sobre qual partido político é mais irresponsável fiscalmente.

É o Congresso, e principalmente a Câmara dos Deputados, que se apropriam do dinheiro e que aderem as, ou negam, as prioridades presidenciais. Os americanos se esqueceram de que os democratas é que controlavam o Congresso a “carteira” em 2007 e 2008, os dois últimos anos da Administração Bush. Era basicamente a mesma situação que existe hoje, com os republicanos controlando o Congresso durante os últimos dois anos do governo Obama.

Os Americanos têm sido mal servidos e enganados pelos políticos da geração passada. Foi prometido a eles que a nação poderia pagar tanto pelos investimentos em defesa quanto por benefícios sociais (guns and butter). Isto se traduziria em enormes gastos, tanto para os militares quanto para a população.

Outras nações que aspiravam chegar ao status de grande potência também tiveram de enfrentar um dilema semelhante. O Reino Unido escolheu gastar com programas sociais através de benefícios que, posteriormente, sinalizou o fim do Império Britânico, depois da Segunda Guerra Mundial.

Os Estados Unidos, além da dívida pública, está tendo que lidar com passivos não capitalizados que passam de $120 triliões de dólares. Os custos da previdência (Social Security), Medicare, pensões do governo e dos juros sobre a dívida, em breve irão absorver a totalidade do orçamento anual. Isso não deixa nada para tudo o resto, incluindo a defesa.

Quando as pessoas questionam se outros benefícios deveriam ser criados dada a sombria situação fiscal do país, eles são informados pelo presidente de que é a coisa certa a fazer. Levar o país a falência com tanta gastança, de acordo com a administração atual, é a coisa certa a fazer. Toda essa despesa extra para ajudar os vários grupos de interesse na sociedade americana, não está sendo paga.

O presidente Barack Obama assinando o Affordable Care Act, na Casa Branca, em 23 de março de 2010.

Talvez seja isso o que o Partido Democrata está esperando. Colocar os gastos a um nível que exigirá impostos muito mais elevados. Eles não têm noção de que o aumento da dívida, e em breve dos impostos, irão desacelerar a expansão econômica. Levando em consideração que muitos dos políticos atuais são ex-advogados, muitos deles com pouca experiência no setor privado, não é de se admirar que lhes falta a ideia de criar melhores condições para a criação de empregos.

O que o público americano ouve dos políticos e dos “especialistas” é como o governo vai criar postos de trabalho. Apenas o setor privado pode gerar negócios auto-sustentáveis e, portanto, postos de trabalho. Usar o dinheiro dos impostos para gerar escassas oportunidades econômicas para um grupo seleto, não traz um retorno muito bom para o contribuinte americano. Isso raramente se torna um uso eficiente dos escassos recursos financeiros.

Barack Obama, 44º presidente dos Estados Unidos (2009-Presente).

O Partido Democrata está sem mais ideias para gerar crescimento e prosperidade. Tendo alcançado seu maior objetivo em apenas uma geração, na forma de uma reforma do sistema de saúde americano, tudo o que eles podem oferecer agora são mais gostas com benefícios através de programas financeiramente insustentáveis.

Se você parar para ouvir os candidatos da esquerda americana, vai ver que é isso que todos eles estão oferecendo, em vários graus. O problema é que o próximo presidente norte-americano não será capaz de acabar com essa irresponsabilidade financeira no futuro. Como uma nação, os Estados Unidos estão ficando rapidamente sem alternativas, tanto em matéria fiscal quanto em monetária.

O Partido Republicano também precisa ser honesto com o povo americano. A verdade não é agradável de se ouvir, mas tem que ser dita; que muito do que foi prometido e esperado, após interminável condicionamento, simplesmente não será viável.

Os sinais do colapso fiscal estão em toda parte. Cada vez mais municípios, cidades e estados por todo o país, estão tendo que lidar com custos de pensão e cuidados médicos que os estão levando a falência. Estas entidades políticas não pode imprimir dinheiro, então muitas vezes o que ocorre é a insolvência. Isto é um prenúncio das promessas quebradas que chegarão em breve, também do governo federal.

Um tanque M-84 do Kuwait durante a operação Desert Shield, em 1990. O Kuwait continua a manter fortes relações com a coligação da Guerra do Golfo.

Os Estados Unidos também já não podem mais se dar ao luxo de ser a polícia do mundo. O país agora terá de trabalhar em conjunto com outras nações para poder alcançar muitos dos objetivos de sua política externa. Um exemplo deste tipo de arranjo é a invasão americana do Kuwait, em 1991. O país tinha sido ocupado pelo Iraque no ano anterior e, o anúncio feito por Saddam Hussein sobre a anexação dele, nunca foi aceita pelo então presidente americano.

George Bush, o pai, organizou uma verdadeira coalizão internacional que resultou na expulsão das forças iraquianas do Kuwait. A assistência em forma de equipamentos, soldados e dinheiro de numerosas nações, fez com que a operação fosse bem-sucedida. Tudo foi conseguido em um curto espaço de tempo, com um mínimo de perdas do lado americano.

No futuro, os Estados Unidos deveriam estar dispostos a agir sozinhos somente quando interesses nacionais vitais estiverem em jogo, isso se realmente necessário.

A escolha para o eleitorado dos Estados Unidos vai ser difícil. Muitos americanos não têm ideia de quão perto o país está ficando de um colapso financeiro. Eles foram condicionados a acreditar que o país pode continuar a aumentar as suas despesas com programas sociais por tempo indeterminado. Alguns nunca compreenderam as limitações do que é acessível ao nível nacional, e estão mais preocupados com os princípios de justiça social. Já outros estão totalmente despreocupados com o tsunami fiscal e monetário que vem por ai. Eles querem mesmo é uma reforma total do sistema capitalista americano.

Dívida federal dos EUA como porcentagem do PIB, por partido político, de 1940 a 2014.

Se os americanos tivessem sido forçados a pagar pelos novos programas sociais através de impostos mais altos nos últimos anos, o apoio a tais programas tinha sido muito menor. O presente sistema político atual dos Estados Unidos promove a dívida.

Os democratas aumentam os gastos com programas sociais no seu governo, mas cedem às exigências republicanas em manter os impostos baixos. Os republicanos, por sua vez, aderiram às despesas mais elevadas, mas não permitirão que elas sejam pagos. Talvez fosse melhor se eles tivessem permitido aos democratas fazer do jeito que eles queriam. Se os contribuintes americanos compreendessem o verdadeiro custo dos benefícios existentes, provavelmente eles não iriam concordar com novos programas.

O fato que quase metade da população americana tem pouca responsabilidade no pagamento dos impostos federais, é um outro problema. Estes indivíduos, por causa da presente política de redistribuição de renda e fiscal, não sentem a dor financeira que o crescente fardo de programas sociais causa. Cada vez mais menos e menos americanos são solicitados a pagar por mais e mais benefícios. Isto não pode continuar, sem causar um grande impacto sobre a economia americana e o sistema financeiro.

Aumentos de déficit e dívidas, 2001–2013

As eleições de 2016 irão dar aos americanos mais uma oportunidade para mudar de rumo e evitar o iminente desastre. Será que a mídia e os eleitores irão cobrar os políticos que estão concorrendo ao cargo?

Será que alguém finalmente vai perguntar a principal candidata democrata, Hillary Clinton, como os novos programas sociais que ela está propondo serão pagos? Será que os candidatos republicanos irão explicar para o povo americano, de maneira honesta, quão profundo os cortes nos gastos têm que ser a fim de salvar os Estados Unidos de um desastre financeiro? Muito provavelmente não, em ambos os casos.

Caberá ao povo americano começar a cobrar os políticos pela gestão imprudente dos gastos públicos e impostos. A mídia vai tentar distrair e confundir o povo americano com relação as importantes decisões que deverão ser tomadas. Este setor da sociedade tem a sua própria agenda. A pergunta que fica no ar é de longe a mais crítica. Existem eleitores o suficiente que compreendem as limitações econômicas e, que entendem a importância de se diminuir a acumulação de dívidas e os gastos descontrolados? Será que, em breve, os americanos irão seguir os gregos no penhasco fiscal? A resposta dessa essa pergunta, logo logo vai determinar o futuro dos Estados Unidos no século 21.

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