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O fim do crescimento econômico impulsionado pelas commodities na América Latina

O crescimento econômico e o investimento na América Latina têm sido impulsionados durante décadas pela exploração e desenvolvimento de recursos naturais, que permitiram que a região se tornasse uma importante fonte de matérias-primas. O aumento geral dos preços de bens de consumo, incluindo produtos alimentares, da energia e dos minerais foi causado pela rápida industrialização da China. O desenvolvimento do país funcionou como um catalisador para o enorme crescimento da América Latina. À medida que a economia chinesa vai desacelerando, com uma taxa de crescimento de 7% ou até menos, a robusta demanda por commodities em todo o mundo se estabilizou e, tem diminuído rapidamente desde 2014.

Sanhattan, o distrito financeiro de Santiago do Chile.

A América do Sul tornou-se muito dependente da expansão das commodities. O crescimento econômico do continente foi em média de 4,1%, entre os anos de 2002 a 2012. O número de pessoas de classe média aumentou muito e, mais de 60 milhões de pessoas foram tiradas da miséria absoluta. Parecia que várias nações do continente iriam atingir um nível de crescimento econômico igual ao de países do primeiro mundo. O país do Chile, sozinho, já tinha feito isso. As nações como a Argentina, Colômbia, México, Panamá e Uruguai estavam fazendo grandes avanços na sua evolução em direção à modernidade econômica.

O preço das commodities tinha aumentado em 300% durante os anos de 2003 a 2011. Isto causou um grande aumento nas exportações da região. Todavia, essa situação já foi revertida. No momento, as importações para a região aumentaram de maneira significativa.

O distrito financeiro de Itaim Bibi, em São Paulo, Brasil.

O Brasil, o gigante industrial da América do Sul com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, passou por rápidas mudanças, à medida que a perspectiva de se tornar uma potência econômica foi esfriando. Como a segunda maior economia das Américas, depois dos Estados Unidos, parecia que em breve o país ia dominar a América do Sul. Embora o Brasil continue sendo a sétima maior economia do mundo, com um PIB nominal (Produto Interno Bruto) de $1,9 triliões de dólares (Dólar dos Estados Unidos), o crescimento econômico parou e o país entrou começou a entrar em uma recessão.

De um ano para cá, o Real desvalorizou 30% em relação ao dólar norte-americano. O PIB do país deverá encolher cerca de 1,2% este ano e o desemprego está aumentando rapidamente. As acusações de corrupção contra funcionários do governo, incluindo o alto escalão, e o escândalo na Petrobras, a maior empresa de petróleo do país, têm dificultado os esforços para uma reforma econômica.

Como um todo, a economia da América Latina desacelerou apenas 1,3% no ano passado. Espera-se que em 2015 o crescimento econômico desacelere ainda mais, para menos de 1%. Isto será o quinto ano de crescimento em declínio. A região está desacelerando mais rapidamente do que qualquer outro mercado emergente. No futuro, a nova média poderá ser tão baixa quanto 2%, certamente não mais do que 3%. Isso reduziria significativamente a probabilidade de várias nações da região se tornarem países economicamente desenvolvidos, pelo menos no curto prazo.

Juntamente com a atual queda nos preços das commodities, a região também tem sofrido com uma acentuada queda nos investimentos, desde 2011. Isso se refletiu nos mercados financeiros da América Latina. Os mercados de ações de toda a região estabilizaram, refletindo a falta de crescimento da economia global. As principais moedas da América Central e do Sul depreciaram rapidamente em relação ao dólar, em média 20%, desde meados de 2014. Isso é apenas um dos resultados da nova realidade econômica da região.

O Federal Reserve Bank, de Nova Iorque, tem mais de $1 trilhão de dólares em ativos.

O Federal Reserve Bank (Fed), equivalente a um banco central nos Estados Unidos, tornou-se um fator importante na valorização das moedas latino-americanas. Cada vez mais os investidores da região estão mantendo suas participações em dólares. Caso o Fed seguir em frente com o aumento das taxas de juros, isso iria acarretar em uma maior depreciação das moedas da região, bem como elevar os custos dos empréstimos.

Durante o primeiro trimestre de 2015, estima-se que a América Latina como um todo tenha diminuído seu PIB em 0,05%. Isto é devido em grande parte à atual crise fiscal na Argentina, a recessão no Brasil e no quase colapso da economia da Venezuela. Os analistas sugeriram que a economia dessa nação recuou cerca de 6,8% no primeiro trimestre. A desaceleração do crescimento global também chegou no México, com a economia do país intimamente ligada à desaceleração do crescimento nos Estados Unidos. O PIB no país caiu de 2,7% no último trimestre 2014, para 2,5% no primeiro trimestre de 2015.

Puerto Madero, Buenos Aires

A Argentina está enfrentando um difícil período de reajuste. O país tem sido mal administrado durante anos por um governo corrupto e ineficiente. A inflação está atualmente fora de controle, aumentando a uma taxa de dois dígitos, com o desemprego tornando-se um problema cada vez maior. A atual disputa com os credores internacionais em relação a dívida argentina, parou com a maior parte do investimento estrangeiro, tanto empresarial quanto individual.

A Venezuela está enfrentando um declínio dramático de 7% no PIB este ano, assim como uma taxa de inflação de 95%. Devido à falta de reservas cambiais e uma má gestão econômica, o país está tendo grandes faltas não apenas de insumos, necessários para a fabricação de produtos, mas também de produtos de consumo. A sobrevivência do atual governo socialista, sob o presidente Maduro, está atualmente em questão, em face das péssimas condições em que o país se encontra. Embora o país tenha abundantes reservas de petróleo, a atual baixa dos preços tem judiado da atual configuração econômica.

América Latina

A estagnação econômica não está afetando de maneira uniforme toda a região. Um número de países sul-americanos, devido a dívidas públicas mais baixas, taxas de câmbio flutuantes e políticas fiscais mais prudentes, irão se sair melhor nessa transição para um crescimento econômico menor. Além do Chile, podemos incluir nessa lista a Colômbia e o Peru. O crescimento econômico nesses países vai continuar, mas a um ritmo mais lento.

O PIB do Chile cresceu 2,41% no primeiro trimestre de 2015. O crescimento ocorreu a uma média de 5,30% entre 1987 a 2015. O setor mais importante da economia é o de serviços, o que explica o porquê de o país tem sido capaz de manter o crescimento enquanto que vários de seus vizinhos não. Tanto a procura interna quanto as exportações aumentaram em 2015.

A economia colombiana cresceu em 2,8% no primeiro trimestre de 2015. O crescimento foi em média de 4,32%, entre os anos de 2001 a 2015. O setor de maior e mais rápido crescimento da economia colombiana é o de serviços. Ele é responsável por 53% do PIB do país. Isso explica a resiliência da economia em face de uma desaceleração regional.

O Peru, embora ainda crescendo, está fazendo isso a um ritmo mais moderado, de 1,7% durante o primeiro semestre de 2015. O PIB cresceu a uma média de 3,45%, entre os anos de 1980 a 2015. O país mantém uma das economias que mais crescem na região. O setor de serviços é responsável por cerca de 60% do PIB do país. O comércio a atacado e o varejista são as principais partes deste setor da economia.

Lima, capital do Peru

O principal problema para a maioria dos países da América Latina, é a forma como a riqueza gerada a partir das commodities foi usada na região durante os anos de abundância. Os países, no geral, não investiram como deveriam em infra-estrutura e no setor de manufatura, como os países asiáticos fizeram. A região, como um todo, gastou enormes somas de dinheiro em importações e com o financiamento de uma compulsão interna por bens de consumo. O modelo latino-americano é fraco com relação a sustentabilidade a longo prazo.

Para retomar um ritmo de crescimento mais rápido, a América Latina deve lidar com os anos de excessos e das dívidas. A maioria dos países da região não podem mais contar somente com estímulos fiscais e políticas monetárias para conseguirem retomar a prosperidade. Um sistema bancário mais forte e mais bem organizado, juntamente com uma melhor gestão dos orçamentos nacionais e grandes reservas de moedas estrangeiras, ajudaram esses países a passar pela última crise, quando ela chegou em 2008 e 2009. Desta vez, as reformas precisam se concentrar em aumentar a diversificação das economias domésticas e desenvolver mais o comércio, não só na região, mas internacionalmente também.

Distrito financeiro do Rio de Janeiro

A produtividade nas existentes indústrias está estagnada há anos. Os salários não podem ser elevados sob essas condições. Também não haverá crescimento suficiente para lidar com o aumento do desemprego, especialmente entre os jovens. A baixa taxa de poupança nacional, de menos de 20% do PIB na América Latina, é um outro fator que irá dificultar o futuro crescimento da economia. Essa taxa é baixa, ainda mais se comparada aos países do Sudeste Asiático, que chegam a 30%. A baixa taxa inviabiliza maiores investimentos em negócios e em parte explica a falta de financiamento para melhorias técnicas em fábricas e equipamentos. Os investimentos em infra-estrutura correspondem a apenas 3%, na região como um todo. Este montante representa apenas metade do que a Índia gasta e, meros 1/3 do que a China investe.

Vai ser difícil para muitas das nações envolvidas iniciar as reformas necessárias, em face a uma desaceleração geral da economia global e da mudança das condições econômicas criada pelo colapso nos preços das commodities. As crescentes expectativas de uma classe média que está aumentando, e também dos pobres, irão forçar os governos a adotarem mudanças políticas em vários países da América Latina. Os atuais, e futuros, líderes governamentais da região serão julgados mais nos resultados, e não apenas na retórica. No final, a escolha será entre uma reforma conduzida para estimular o crescimento, ou, a continuação de políticas ultrapassadas que acabarão levando à estagnação econômica.

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