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Políticas monetárias sem sentido estão destruindo as moedas

Em uma escala global, os bancos centrais do mundo continuam com suas políticas monetárias absurdas que, no final, irão destruir toda a confiança nas moedas nacionais. Em vários países as taxas de juros foram reduzidas para baixo de zero, e a monetarização da dívida pública continua em ritmo acelerado. As nações continuam a gastar além de seus meios, sem nenhuma preocupação com o quão perto estão da insolvência. Cada vez mais os investidores estão tendo que lidar com mercados financeiros que não fazem mais sentido de acordo com os padrões tradicionais. Vários analistas já estão se perguntando, qual será o resultado dessas ações desesperadas?

O caso da Grécia é um belo exemplo do que acontece quando um país gasta demais, vivendo muito além de seus meios. Os políticos gregos irresponsavelmente ofereceram a sua população muito mais do que era prudente. O que foi prometido ao povo da Grécia é que eles teriam um padrão de vida igual ao dos países de primeiro mundo, mesmo sabendo que a economia do país não poderia sustentar isso. Esse padrão de vida foi alcançado através de empréstimos ao longo de muitos anos, o que elevou a dívida do país a níveis insustentáveis, ​​em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do mesmo. Atualmente a dívida representa 177,1% do PIB. O país agora deve 245 bilhões de dólares, o que é muito para uma nação de pouco mais de 11 milhões de pessoas.

No ponto em que chegou, a dívida nacional da Grécia já não pode mais ser paga, no sentido prático. É importante lembrar que foi somente em 2006 que a dívida grega ultrapassou o nível de 100% em relação ao PIB. O país conseguiu passar por essa “barreira” em menos de uma década.

A Grécia é o primeiro país desenvolvido do mundo à se tornar inadimplente, ao não pagar sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com certeza não será o último. Só podemos ficar nos perguntando, como é possível que uma nação possa ir de uma taxa de endividamento com relação ao PIB de apenas 22,60%, em 1980, para a inacreditável taxa atual?

O que muitos analistas não conseguem explicar é que a Grécia não é o país com a maior taxa de endividamento atualmente. O Japão passou dos 50,60% de endividamento em relação ao PIB, em 1980, para a atual taxa de 230%. A principal diferença é que, enquanto que a maior parte da dívida grega é detida por credores estrangeiros, a dívida japonesa está sendo financiada internamente. O que torna isso possível é a alta taxa de poupança dos cidadãos japoneses. O cidadão japonês aprendeu a viver dentro de seus meios e a guardar dinheiro, mesmo que o seu governo não tenha conseguido fazer o mesmo.

Tóquio, capital do Japão

Os japoneses são creditados com a política de flexibilização quantitativa (QE), no sentido moderno. O país já vem lutando por 25 anos contra a deflação e o baixo índice de crescimento. Os japoneses redobraram os seus esforços com a flexibilização quantitativa em 2013, com nova aceleração em 2014.

Continuam havendo rumores de mais rodadas de compras de ativos por parte do governo, em uma escala ainda maior. O Bank of Japan, pela primeira vez, está começando a se preocupar com a natureza e a dimensão de toda a liquidez que está sendo bombeada na economia. Além disso, até o momento a flexibilização quantitativa não produziu os resultados que tinham sido previstos.

Enquanto que a atenção mundial está voltada para a Grécia, o que está acontecendo em outros lugares é tão grave quanto, para a estabilidade do sistema financeiro mundial. Na semana passada, o banco central sueco inesperadamente tomou novas medidas para a solidificação de uma política inconveniente, que irá produzir consequências desconhecidas. A ação tomada pelo bando foi de cortar ainda mais as taxas básicas de juros, já estavam em território negativo. A redução fez baixar a taxa de -0,25% para -0,30%.

Estocolmo, capital da Suécia

O banco central sueco também anunciou a expansão de seu programa de compra de títulos, em mais 45 bilhões de coroas, o equivalente a $5,3 bilhões dólares (Dólar dos Estados Unidos). Até o final do ano isso irá suplementar os 80 / 90 bilhões de coroas que já foram disponibilizadas para esse fim.

O fato de se gastar mais de $10 bilhões de dólares em apenas um ano, na compra de títulos da dívida de um país que tem uma população de menos de 10 milhões e um PIB de apenas $487 bilhões, significa um grande estímulo monetário.

No final de junho, o Banco Popular da China anunciou mais 25 bps (pontos base) de taxa de corte, e uma redução de 50 bps na taxa de reserva direcionada (targeted reserve ratio), a fim de encorajar o crescimento. O resultado imediato foi uma queda na taxa do mercado monetário e uma desvalorização do yuan. Apesar de ter sofrido três cortes, a taxa de empréstimo chinês continua muito elevada, 4,85%, em comparação com a maioria dos outros países – agora a tendência foi estabelecida.

Xangai, China

À medida que a economia chinesa (a segunda maior a nível mundial) continua a desacelerar, as reduções das taxas de juros irão continuar. O governo chinês está determinado a manter a economia crescendo a uma taxa de 7%. Considera-se que, atualmente, uma menor taxa de desenvolvimento irá trazer instabilidade para a sociedade chinesa.

No passada, a taxa de crescimento do PIB ocorreu a uma média de 9,06%, entre 1989 a 2015. Já fazem 6 anos que a taxa de crescimento trimestral não fica tão baixa, como está atualmente, devido a um atraso no setor de manufatura e investimentos imobiliários. Em 2014, a economia avançou somente 7,4%, a menor taxa de crescimento em 24 anos.

O Federal Reserve Bank dos Estados Unidos, também conhecido como o Fed, manteve a taxa de juros principal, conhecida como taxa dos fundos federais (Federal Funds), em 0,25% desde dezembro de 2008. O presente ciclo de dinheiro a baixo custo começou em 2006. A média desde o ano de 1971, até 2015, é na verdade de 5,96%.

Podemos ver claramente que a atual situação é uma anomalia que não poderá durar indefinidamente. As ações do Fed irão importar muito. Os Estados Unidos não são somente a maior economia do mundo, com um PIB nominal de $18,125 trilhões de dólares, mas eles também fornecem a moeda mais utilizada no planeta, que é a moeda de reserva mais importante nas transações internacionais.

Um mapa das economias mundiais por tamanho do PIB (nominal) em USD.

A flexibilização quantitativa (QE), da maneira como foi usada nos Estados Unidos, permitiu que o Fed comprasse ativos a fim de inchar o balanço do banco central em 400%, para um total de $4,5 trilhões de dólares americanos. Iniciada em 2009, a política de flexibilização quantitativa foi reduzida em no final de 2013 e, finalmente, terminou em outubro de 2014.

No auge do programa, $85 bilhões de dólares estavam sendo usados mensalmente, para comprar títulos hipotecários lastreados e também títulos do governo. Esse ritmo culminou em $1 trilhão de dólares sendo usados para esse fim em 1 ano. O montante total de liquidez injetados na economia americana, por meio de três rodadas de QE, foi de $3,5 trilhões de dólares. Para colocar isto em perspectiva, é como adicionar a economia americana toda a economia do Reino Unido, em dinheiro, e ainda com sobras.

A economia americana representa 22% do PIB nominal mundial e, 17% do PIB mundial em Paridade de Poder de Compra (PPC). A economia chinesa, com um PIB nominal de $11,212 trilhões de dólares USD em 2015 e, um PIB em PPC de $18,976 trilhões de dólares, agora possui a maior economia do mundo quando usamos o PPC como medida. A política monetária da China também terá um enorme impacto sobre a economia global. O país se tornou a maior nação comercial do mundo, primeiro superando a Alemanha, e depois os Estados Unidos em 2013.

Denominações do Yuan chinês

Também é esperado que o yuan chinês se torne uma moeda de reserva mundial, o que será anunciado em 20 de outubro pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). A moeda chinesa irá se juntar as moedas dos Estados Unidos, do Reino Unido, da União Européia, do Japão, do Canadá, da Austrália e da Suíça.

É importante notarmos que 62% de todas as operações mundiais são atualmente feitas usando o dólar dos Estados Unidos. Metade de todos os bancos centrais do mundo mantem quantidades substanciais da moeda americana. O yuan chinês poderia facilmente pegar de 10 a 15% do total, reduzindo a quota das moedas de outros países, incluindo a do dólar dos Estados Unidos.

Os mercados cambiais são muito maiores do que as bolsas de ações e de commodities. Enquanto as bolsas de valores nacionais lidam com valores na casa dos bilhões, o mercado de câmbio (foreign Exchange Market – FX) faz negócios na casa dos trilhões. O FX é 200 vezes o tamanho da New York Stock Exchange.

O Banco Central Europeu (BCE) tinha experimentado com taxas de juros negativas, antes de começar com um programa de compra de títulos em março deste ano. Isso foi semelhante ao que o Japão e os Estados Unidos já tinham feito. Apesar das objeções alemãs, mais dinheiro foi impresso e então foi usado para comprar títulos da dívida do governo. A zona do euro, que compreende 19 nações, embarcou em um programa de compra de ativos, que deverá custar um total de 1,1 trilhões de euros ou, $1,2 trilhões de dólares. Este plano de estímulo acabou desvalorizando o Euro em relação ao dólar norte-americano, a níveis não vistos em mais de uma década.

Os rendimentos de alguns títulos do governo na Europa já entraram em território negativo. O BCE foi o primeiro grande banco central a deixar que as taxas de juros caíssem a baixo de zero. Ele também está fornecendo financiamento barato para qualquer um dos bancos dentro da Zona Euro que estejam precisando de assistência para operações regulares. As compras de obrigações hipotecárias por parte do BCE começaram em outubro de 2014 e, títulos garantidos por ativos foram adicionados ao portfólio em novembro.

Cédulas de Euro

O BCE já tentou comprar ativos duas vezes no passado. Nos anos de 2010 a 2012, o BCE comprou títulos das dívidas de países como a Grécia, Itália e Espanha, mas foi a um âmbito mais limitado. As obrigações hipotecárias também foram adquiridas durante os anos de 2009 a 2012, em resposta aos efeitos da crise financeira de 2008 e 2009.

No início deste ano a Dinamarca baixou as taxas de juros quatro vezes em apenas um mês, para – 0,75% e, chegou a até mesmo tomar um passo sem precedentes, de travar a emissão de todos os títulos do governo. Isto foi em resposta ao plano do BCE de expandir a flexibilização quantitativa (QE).

A coroa dinamarquesa teria valorizado rapidamente com as políticas monetárias expansivas da Zona do Euro, o que por sua vez teria prejudicado a economia deste pequeno país do norte da Europa. A Dinamarca é bastante dependente das exportações, sendo que uma coroa mais forte teria colocado o país em desvantagem competitiva.

A Suíça foi forçada a abandonar a paridade entre o franco suíço e o euro em janeiro deste ano. O banco central suíço chegou a realização de que tentar defender o franco não eram mais viável. O valor da moeda suíça subiu cerca de 30% quando essa decisão foi anunciada. Desde então, a moeda desvalorizou um pouco, mas os exportadores têm sofrido bastante com a rápida valorização do franco suíço.

O valor do mercado de ações suíço diminuiu cerca de 10%. O preço dos produtos importados caíram significativamente no país, permitindo que a deflação tomasse conta, de maneira muito parecida com o que está ocorrendo na Zona do Euro.

No Reino Unido as taxas de juros permanecem em uma baixa recorde, de 0,5%. O Banco da Inglaterra (BOE) começou com a flexibilização quantitativa (QE) a partir de 2009, em uma tentativa de reviver a economia britânica. O BOE comprou £375 bilhões de libras em títulos do governo, o equivalente a $584 bilhões de dólares. A controversa política foi abandonada em 2013, depois de uma votação apertada, uma vez que chegaram à conclusão de que ela tinha falhado ao entregar os resultados prometidos.

O que não pode ser contestado foi o grande efeito benéfico que a política teve para as pessoas mais ricas da sociedade britânica. As preocupações com o valor da libra ajudaram a conter novas rodadas de QE. O recente crescimento do Reino Unido faz com que novas rodadas de flexibilização quantitativa sejam improváveis, pelo menos por enquanto.

Aumento do PIB, 1990-1998 e 1990-2006, nos principais países.

Baixas taxas de juros e programas de flexibilização quantitativa em vários níveis já foram tentados por quase toda parte. A Austrália, Ásia, Europa, e certos países da América Latina e da América do Norte, colocaram em prática políticas monetárias com o objetivo de desvalorizarem suas moedas. Isso é considerado como uma maneira mais fácil de reestabelecer o crescimento da economia, ao invés de conduzir uma verdadeira reforma fiscal e econômica.

Ao desvalorizar a moeda nacional, um país consegue tornar suas exportações mais competitivas nos mercados mundiais. Uma vez que isso torna as importações mais baratas para outros países, isso também ajuda a reduzir os preços, baixando a taxa de inflação em vários países, podendo até mesmo causar uma deflação. O problema é que, à medida que cada país utiliza dessa mesma política sucessivamente, isso acaba forçando outras nações a fazerem o mesmo a fim de permanecerem economicamente competitivas. Os efeitos a longo prazo desse ciclo vicioso são a desvalorização das principais moedas do mundo e a destruição do atual sistema monetário mundial. Isso só vai evidenciar ainda mais a necessidade de uma moeda global única.

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