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A verdade sobre o caso do Irã

As discussões já começaram sobre se o acordo firmado entre o Irã e uma série de outras potências mundiais, incluindo os Estados Unidos, será favorável a comunidade internacional também. Assim como os resultados a longo prazo que estão sendo esperados, também existem considerações de curto prazo. A questão é se esse foi o melhor negócio que se poderia esperar, dada a intransigência do atual regime no Teerã? É importante lembrar que o levantamento das sanções, o descongelamento de bens iranianos, e a capacidade de vender quantidades ilimitadas de petróleo, terão um impacto dramático no Oriente Médio e para os investidores ao redor do mundo.

Existem inúmeras restrições e sanções que foram aplicadas por diferentes países e também pela comunidade mundial em geral. Há uma infinidade de questões que tornam o acordo difícil de compreender e ainda mais difícil de aplicar. As nações signatárias da China, França, Alemanha, Rússia, o Reino Unido e os Estados Unidos, têm estado em negociação desde novembro de 2013.

Os ministros das Relações Exteriores dos Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, Alemanha, França, China, União Europeia e Irã (Lausanne, 30 de março de 2015).

O acordo que foi feito está limitado à proliferação nuclear e, sujeito concessões de última hora por parte dos negociadores, com relação as vendas de armas convencionais ao regime iraniano, em 5 anos, e mísseis em 8 anos. O acordo não cobre muitas outras questões que envolvem o Irã, tanto a nível regional quanto internacional.

Uma vez que o acordo entre em vigor, serão removidas as restrições sobre a maior economia que não faz parte do sistema financeiro internacional. O Irã tem atualmente uma população de 78 milhões de pessoas e uma economia de $370 bilhões de dólares (Dólar dos Estados Unidos) e, estará aberto para negócios novamente. A liberação de até $150 bilhões de dólares em ativos congelados, vai permitir que o país gaste uma enorme quantidade de dinheiro. Seria o mesmo que dar aos Estados Unidos $8 trilhões de dólares para gastar.

Outra mudança importante para os iranianos será a venda irrestrita de seu petróleo no mercado internacional. A necessidade de óleo bruto é a principal razão por que a China estava insistindo tanto para que um acordo sobre armas nucleares fosse firmado. O Irã tem reservas comprovadas que compõem 10% da oferta global e, é atualmente conhecido como o 3º país do mundo com mais óleo. O país é reconhecido como tendo a segunda maior reserva de gás natural do mundo, com algumas estimativas sugerindo que eles possuem 17% da oferta mundial.

Refinaria de Abadan

De acordo com vários analistas da indústria de energia, o Irã será capaz de fornecer um adicional de 200 a 700 mil barris diários para o mercado mundial, já em 2016. Isto seria além do montante de petróleo que já é permitido, cerca de 1,4 milhões de barris diários em 2014. Estima-se que o Irã possua de 20 a 40 milhões de barris em armazenamento flutuante que também irão entrar no mercado.

Com o recorde de produção mundial e mais a desaceleração da economia chinesa, os preços do petróleo irão cair durante o resto do ano de 2015 e também em 2016.  Os preços internacionais do petróleo já caíram cerca de 3%, devido a antecipação do aumento da oferta. O Irã poderia fornecer até 4 milhões de barris por dia, dentro de um ano. O nível de produção anterior, antes da aplicação das sanções internacionais por parte da Europa e dos Estados Unidos, em 2012, foi de 2,6 milhões de barris.

No entanto, precisamos levar em consideração que a produção iraniana será limitada por preços mais baixos do petróleo bruto, tanto quanto a da Rússia, Estados Unidos e Venezuela. A baixa demanda por petróleo vai fazer com que grande parte da produção iraniana não seja competitiva a preços mais baixos. O Irã considerou $100 USD para o ano fiscal de 2014, baixando para $72,00 USD em 2015. O governo iraniano recebe 45% das suas receitas a partir da venda de petróleo.

O Irã fabrica de 60% a 70% do seu equipamento industrial no próprio país, incluindo refinarias, petroleiros, plataformas de perfuração, plataformas offshore e instrumentos de exploração.

É importante ressaltar que o Brent está sendo vendido agora abaixo de $57,00 USD por barril. A tendência é que o preço diminua ainda mais. O valor do petróleo nos Estados Unidos (WTI), já diminuiu para menos de $50,00 USD, novamente. Os preços do petróleo estão em seu nível mais baixo desde abril.

O Irã representa uma enorme oportunidade para os investidores, caso eles estejam dispostos a trabalhar em torno das muitas restrições e proibições, que são impostas ao capital estrangeiro pelo governo. Com o término das sanções, várias empresas asiáticas e européias já estão se preparando para uma corrida na abertura da economia iraniana. A insegurança das empresas norte-americanas em investir no Irã não está sendo compartilhada com outros países ao redor do mundo.

As conseqüências não intencionais da presente acordo nuclear são imensas. Há muitos que afirmam que, já que no final das contas o acordo permite que o Irã se torne um estado nuclear, uma corrida armamentista iria inevitavelmente começar. Várias nações do Oriente Médio e, em particular a Arábia Saudita, agora passarão a se sentir muito mais ameaçados. Muito provavelmente esses países começarão com seus próprios programas nucleares.  Os Estados do Golfo (Kuwait, Barém, Iraque, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos) especificamente, podem facilmente financiar seus próprios programas nucleares.

Israel, há muito isolada na região, agora irá encontrar novos aliados que também se sentem ameaçados pelo crescente poder do Irã. A vinda da hegemonia do país, que já foi chamado de Pérsia, tem causado um replanejamento das políticas externas dos países em todo o Oriente Médio. Os países que estão geograficamente próximos ao Irã, como o Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, terão de dedicar muito mais recursos para as suas respectivas defesas.

O governo iraniano já deixou claro que, além da destruição de Israel, um dos principais objetivos da sua política externa é a derrubada das monarquias que cercam o Golfo Pérsico. Os mulás do Irã acreditam que estes governos sejam corruptos e também meras marionetes dos interesses ocidentais na região. Outro fato que não ajuda muito nesta questão é que os habitantes destes países são em sua maioria muçulmanos sunitas, enquanto que os do Irã são xiitas. Estas duas seitas do Islã já estão em desacordo desde a fundação da religião, no século 7.

O Irã não tem ajudado muito para a estabilização no Oriente Médio. O país foi identificado como o maior patrocinador de terrorismo no mundo. O financiamento de grupos como o Hezbollah no Líbano, o Hamas e a Jihad Islâmica na Palestina, assim como as estreitas ligações passadas com a Al Qaeda, o Talibã e grupos relacionados, criaram o caos não só na região, mas também em uma escala global.

Principais instalações do programa nuclear do Irã.

Nos últimos tempos, o Irã está envolvido em uma guerra por procuração com a Arábia Saudita, no Iêmen. Embora os insurgentes islâmicos, houthis, têm a sua própria agenda no interior do país, o apoio do governo iraniano tem sido crucial para o seu sucesso em derrubar o presidente do Iêmen e conduzir o país à uma guerra civil.

A atual posição da política externa americana no Oriente Médio é contrária ao papel mais ativista dela durante o governo do ex-presidente George W. Bush, iniciando em 2001. No momento, os Estados Unidos parece satisfeito em avançar através de negociações e através de proxies.

O resultado disso foi uma redução do prestígio e poder americanos na região. A retirada das forças militares americanas na região acabou gerando um vácuo de poder, que tanto a ISIS (Estado Islâmico do Iraque e Síria) quanto o Irã estão mais do que dispostos a preencher.

Os Ministros das Relações Exteriores (mostradas a partir da esquerda para a direita) da China, França, Alemanha, a União Europeia, o Irã, o Reino Unido, e os Estados Unidos, anunciando a conclusão bem sucedida das negociações para o Plano Global de Ação Conjunta, em Viena, Áustria, 14 de julho de 2015.

A decisão de normalizar as relações econômicas com o Irã terá conseqüências muito ruins. À medida que o Irã vai expandindo seu poder na região, os países vizinhos ou serão forçados a aceitar a nova realidade, ou, irão formar uma coalizão para impedir que tal expansão continue. A possibilidade de uma guerra na região se tornou muito mais provável.

A já complicada situação no Oriente Médio vai ficar agora muito pior, com o Irã bem armado, e, financeiramente amparado. Não há nenhum país na região que não tenha sido tocado pela crescente conflagração do terrorismo patrocinado pela ISIS ou pelo Irã. O contágio também está se espalhando para a Europa, Ásia, África e logo para as Américas.

O acordo nuclear não baixou a bola do presente regime do Irã. Na realidade o acordo acabou encorajando o governo a fazer mais pressão ainda, com a sua agenda de desestabilização e enfraquecimento dos países vizinhos.

A pior parte do acordo é que o Irã, do mesmo jeito que a Coreia do Norte fez antes deles, não irá respeitar as proibições previstas. Haverá um interminável jogo de gato e rato, onde os inspetores internacionais serão negados acesso a lugares específicos. Quando os investigadores finalmente conseguirem chegar onde querem, semanas depois, já vai ser tarde, pois as evidências já terão sido movidas para outro lugar.

Agência Internacional de Energia Atômica

Cada vez mais as atividades clandestinas com material nuclear serão conduzidas em locais secretos, subterrâneos, que não são conhecidos pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Cheios de dinheiro, o Irã terá a capacidade de importar e esconder tudo o que precisa para poder continuar com o seu programa nuclear.

Qual será a resposta da comunidade internacional caso o Irã for pego violando as regras do acordo nuclear? É pouco provável que as sanções vão ser reaplicadas. Mesmo que sejam, o tempo que isso levaria seria suficiente para o Irã continuar, com poucas restrições, com o desenvolvimento de seu programa nuclear. É provável que mais negociações seriam feitas, dando ao Irã ainda mais tempo para continuar trabalhando em seu programa.

Reator experimental 5 MWe no Centro de Pesquisa Nuclear e Científica de Yongbyon

O plano para conseguir atingir a meta de ter uma bomba nuclear pronta e funcionando (nuclear breakout) já foi definido. Só precisamos observar o que ocorreu anteriormente com a Coreia do Norte. Curiosamente, alguns desses mesmos negociadores que foram enganados pelos coreanos, estão agora envolvidos com as presentes negociações. O plano do Irã é continuar ganhando tempo através de intermináveis negociações, até que consiga atingir seu objetivo de ter armas nucleares. Nesse ponto, ameaças de ações mais punitivas serão removidas.

A única maneira de impedir que o Irã consiga o status de potência nuclear, seria um embargo ou um ataque militar. Um embargo geral seria considerado um ato de guerra, e um ataque militar seria inconclusivo, a menos que haja uma invasão terrestre. Todavia, os dois cenários são improváveis, dada a falta de vontade das grandes potências mundiais de enfrentar esta crescente ameaça.

É bem provável que o Irã não será capaz de fazer somente uma bomba nuclear, mas também terá a capacidade de lançar armas nucleares em seus alvos em menos de uma década, independente de qualquer acordo ou tratado. Somente uma forte ação militar seria capaz de impedir que o Irã alcançasse seu objetivo e evitar tal desastre. Tudo o que o atual acordo faz é permitir que os líderes políticos finjam que conseguiram parar temporariamente as ambições nucleares iranianas.

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