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O longo e economicamente turbulento ano de 2015

Agora o mundo está testemunhando os limites para a manipulação governamental dos mercados e da economia em geral. O colapso do índice Shanghai Composite, na China, que teve em um único dia uma queda de 8,5%, foi o segundo maior em uma década.  O Shenzhen também teve uma queda, de 7% de seu valor total. Esta queda é resultado direto da diminuição de 0,3 nos lucros industriais durante o mês passado. Isso é um sinal de que a economia chinesa, a segunda maior do mundo, não está desacelerando suavemente, mas sim, despencando.

No entanto, a real causa para o rápido declínio dos mercados chineses, agora perto de 30% desde meados de junho, pode muito bem ser a ansiedade dos investidores. Há uma grande preocupação com o nível de envolvimento do governo, que muitos temem que não poderá ser sustentado a longo prazo. No momento a sensação é de que o mercado entrará em colapso quando o governo parar de dar apoio. Apesar de todos os esforços que o governo vem fazendo, cada vez mais investidores estão voltando para o mercado imobiliário, que na verdade é outro setor problemático. Os imóveis valorizaram 30% durante o segundo trimestre, depois de uma queda de 9% no primeiro trimestre.

Protestos em Atenas, na Grécia

Na Europa, a crise da dívida grega não foi totalmente resolvida. Os negociadores chegaram na Grécia esta semana para começar as negociações de um novo acordo, que visa mais uma rodada de empréstimos. Se bem sucedido, o acordo permitirá uma infusão de 86 bilhões de Euros, o equivalente a $94,42 bilhões de dólares (Dólar dos Estados Unidos), na economia grega. Os participantes estarão trabalhando contra o tempo, pois o novo acordo terá de ser estabelecido antes do dia 20 de agosto. Esta é a data em que a Grécia deverá garantir os fundos necessários para pagar os bilhões devidos ao BCE (Banco Central Europeu).

O primeiro-ministro grego, Alex Tsipras, está atualmente lutando para conseguir manter o partido unido, que foi dividido quando o governo grego foi forçado a passar novas medidas de austeridade, como fora exigido pelos credores europeus. A única saída para Grécia é fazer com que a economia volte a crescer. Todavia, isso está parecendo cada vez mais improvável. O PIB (Produto Interno Bruto) já diminuiu em 25% desde 2009.

Existem apenas três possíveis soluções para o atual dilema grego. A desvalorização da moeda não é uma alternativa possível, já que a Grécia decidiu ficar na Zona do Euro. Não haverá retorno ao dracma, pelo menos por enquanto. A política monetária é atualmente controlada pelo Banco Central Europeu. Portanto, o Banco Central grego não é capaz de ajustar as taxas de juros, tampouco a oferta de dinheiro para ajudar no crescimento da economia. Então, a única coisa que sobraria para o governo grego, para estimular o crescimento da economia, seria a política fiscal. Mas, como o país já está falido, isso também é uma impossibilidade.

A crise na Grécia não vai acabar só porque o país se tornou insolvente e, ele permanecerá desse jeito, até que a dinâmica mude. Os credores europeus estão relutantes em mudar as regras porque há uma série de outros países da zona do euro, incluindo Chipre, Irlanda, Itália, Portugal, Espanha, que também estão tendo problemas com a dívida. Caso uma exceção seja feita para a Grécia, esses países também irão querer tal tratamento. Esses países também passaram por uma reestruturação dolorosa para poderem atender as demandas dos seus credores.

Na América Latina, o fim do boom das commodities acabou por estancando o rápido crescimento da maioria das economias da região. A desaceleração na expansão econômica da China e de outros lugares criou uma superabundância de muitas commodities industriais, baixando os preços dessas matérias primas no mercado global. Nações como a Venezuela, que são excessivamente dependentes de um único produto, nesse caso o petróleo, estão assistindo suas economias desmoronarem. Esta crise vai acabar aumentando a instabilidade política nesses países, à medida que estas nações seguem rumo a falência e inadimplência para com seus credores internacionais.

Favela no Rio de Janeiro, Brasil

Países como a Argentina e o Brasil, que foram capazes de obter certa prosperidade apesar da corrupção e ineficiências em seus sistemas econômicos e políticos, irão se ver com bastante dificuldades nessa nova era. Os círculos eleitorais não se importavam em permitir políticas absurdas durante os tempos de fartura econômica. Agora que esta época está chegando ao fim, os protestos por mudanças se tornarão cada vez mais comuns.

As nações que são excessivamente dependentes de um único produto, ou commodity, como acima mencionado, estão em apuros. Com exceção dos países do Golfo Pérsico, que conseguiram acumular reservas substanciais e suficientes para períodos de crise, a maior parte dos países está com sérios problemas. À medida que o preço do petróleo continua a cair, haverá cada vez mais desordem política e social, pois esses governos ficarão cada vez mais sem dinheiro. No mercado internacional, o petróleo tipo Brent está cotado ligeiramente acima de $53,00 USD, por barril.

Nos Estados Unidos, o óleo tipo WTI (West Texas Intermediate) já está sendo negociado pelo preço de $48,79 USD por barril. A queda dos preços dos combustíveis fósseis está tendo sérias consequências no setor, causando a demissão de dezenas de milhares de pessoas que trabalham na indústria. Em todo o mundo, as demissões já ultrapassaram a marca de 150.000 postos de trabalho. Embora os baixos preços de energia podem muito bem beneficiar outras partes da economia mundial, os cargos que foram perdidos, em sua maior parte, pagavam melhor do que os que irão substituí-los.

Por todo o mundo, países estão atualmente revendo suas respectivas projeções de crescimento, baixando a porcentagem de expansão econômica. Por sua vez, isso forçou o FMI (Fundo Monetário Internacional) a diminuir a taxa de crescimento global, de 3,5% para 3,3%. O Banco Mundial (BM) tem uma previsão ainda mais sombria, baixando a taxa original para 2,8% em 2015. O Banco Mundial levou em consideração nesse novo cálculo as acentuadas contrações econômicas no Brasil e na Rússia, juntamente com o fraco crescimento econômico da Indonésia e da Turquia. Além disso, a desaceleração do crescimento da maioria dos mercados emergentes também foi considerada nessa nova taxa.

O Japão, como terceira potência industrial do mundo, não tem visto um crescimento sustentável há anos. Grandes rodadas de flexibilização quantitativa (Quantitative Easing, QE) e uma política fiscal frouxa, criaram um nível de endividamento que agora está se aproximando de 240% do PIB. Apesar dessa enorme gastança, a economia continua se arrastando para frente, com uma deflação e baixa produtividade.

Desde 2012, um novo governo vem prometendo um retorno à prosperidade, através do que ficou conhecido como Abenomics. O plano de recuperação econômica é caracterizado por três elementos principais, sendo, impulsionar os gastos do governo, desencadear estímulos monetários e, por último, conduzir uma reforma estrutural da economia. Os dois primeiros itens foram abraçados com entusiasmo, porém, o último tem se mostrado mais problemático do que esperado.

Nos Estados Unidos, a mais lenta recuperação econômica registrada até hoje continua cambaleando para frente, mas mais como resultado da política monetária do que por causa de crescimento real. Como a maior economia mundial, as taxas de juros já não são aumentadas desde 2006 e os gastos deficitários aumentaram consideravelmente. Após a crise financeira de 2008, o país começou com uma política de flexibilização quantitativa em doses maciças, que finalmente foi abandonada no final de 2014. O resultado de toda essa despesa tem sido a duplicação da valorização das bolsas norte americanas; assim como a taxa de endividamento com relação ao PIB de 105%.

As taxas de juros continuam em 0,25%, ou em outras palavras, basicamente zero. A cada reunião do Federal Reserve Bank (Fed), o equivalente à um banco central americano, a possibilidade de aumento das taxas de juros vem à tona, porém sempre é adiado para uma data futura. Toda vez os mercados ficam nervosos, na antecipação de que a taxas sejam elevadas, mas, suspiram aliviados quando o Fed decide continuar com a política atual. Na sequência há sempre uma valorização das ações e, os investidores ficam contentes com a perspectiva de que o dinheiro continuará custando pouco no futuro imediato.

Protestantes em Dublin, República da Irlanda

As artificiais baixas taxas de juros fizeram com que somente o mercado de ações dos Estados Unidos, e de poucos outros lugares no mundo, sejam os únicos lugares para se investir dinheiro com alguma perspectiva retorno razoável. A corrida para baixas taxas de juros chegou a tal ponto que, em alguns lugares a taxa já está abaixo de zero, como na Dinamarca e na Suécia. É uma posição monetária totalmente absurda, que não pode ser mantida a longo prazo. O sistema financeiro desses países realmente pune os interessados em poupar. Esta não é uma boa receita para a geração de investimento real e crescimento da economia.

À medida que o rebaixamento das moedas dos países continua em ritmo acelerado, juntamente com o enorme montante de dívidas nos países desenvolvidos, os poucos e/ou nenhum retorno sobre investimentos, tirando ações, já são uma realidade em vários lugares. Mais e mais tipos tradicionais de investimentos, como commodities, metais preciosos, imóveis e títulos do governo, têm provado estarem cada vez mais fracos na geração de lucros. Assim, uma parcela cada vez maior da riqueza nacional é derramada em ações, causando uma sobrevalorização das bolsas. Muito além do que é prudente e razoável, dadas as baixas taxas de crescimento econômico.

É difícil passar uma semana sem que algum país não baixe suas taxas de juros ainda mais. A Austrália foi o exemplo mais recente. No entanto, cada rodada de cortes força uma ação semelhante em outro lugar. Os ministros das finanças na maioria dos países parecem ter ficado sem ideias de como estimular o crescimento. Quando a prosperidade econômica não é alcançada, tudo o que é oferecido é uma nova rodada de gastos fiscais, taxas de juros mais baixas e mais políticas de flexibilização quantitativa.

Atualmente, apenas alguns poucos países continuam céticos dessas ações. Eles continuam a emitir alertas preocupantes sobre o que estas políticas financeiras inconvenientes podem causar. Nações como a Alemanha, Cingapura, Noruega e a Suíça, estão fazendo o que podem para manter os orçamentos nacionais em equilíbrio e manter os seus saldos de contas estrangeiras em território positivo. As exportações têm conseguido manter estes países prósperos, mas isso está ficando cada vez mais difícil, à medida que o crescimento econômico mundial continua a desacelerar.

O que está por vir é simplesmente inevitável. Uma grande correção nos mercados irá chegar em breve, seja no segundo semestre de 2015 ou durante 2016. A recessão resultante será dura com os governos incapazes de responder à altura, isso devido à magnitude da desaceleração. A aguardada reestruturação das economias de vários países terá, então, uma maior urgência e será algo prioritário.

À medida que a inadimplência e moratórias no pagamento de dívidas vão se amontoando, isso irá acabar causando grandes perturbações na economia mundial. A absoluta miséria dos cidadãos que permitiram que seus respectivos governos gastassem de maneira irresponsável, até chegar a falência, ainda irá causar muita agitação civil e política ao redor do mundo. Vai levar anos até que os países consigam se recuperar dessas políticas econômicas infelizes e desonestas, que foram decretadas ao longo dos últimos anos.

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