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A economia do Japão continua em recessão

Apesar do grande uso de flexibilização quantitativa e enormes estímulos para a economia, o Japão permanece em recessão. A economia encolheu a um ritmo anualizado de 1,6%, de abril a junho. Os consumidores estão cortando os gastos e as exportações parecem estar em uma nova recessão, à medida que a economia mundial desacelera. A questão para o governo reformista do Japão é o que fazer agora, como retomar o crescimento e o investimento na segunda maior economia desenvolvida do mundo?

O Japão é a terceira maior economia do mundo em PIB nominal (Produto Interno Bruto) em $4,21 trilhões (Dólar dos Estados Unidos) e a quarta maior PPC (Paridade de Poder de Compra). A nível internacional, os japoneses têm uma enorme força no comércio e investimentos mundiais. O país é líder na fabricação de produtos de alta precisão e tecnologia.

Lexus LS. O rápido crescimento e sucesso da Lexus, marca pertencente a Toyota, e de outras montadoras japonesas reflete a força do Japão na indústria automobilística.

O Japão continua sendo o maior credor mundial e, no início deste ano, se tornou o maior consumidor de dívida americana também. A China costumava ser o maior credor dos Estados Unidos (EUA) desde 2008, mas recentemente, tem diminuído as compras cortar na compra de títulos do tesouro americano. Isso permitiu que o Japão recuperasse o título de maior credor depois de um hiato de sete anos.

A nação do Japão é a terceira maior fabricante mundial de automóveis e atualmente detém a maior indústria de produtos eletrônicos. Embora a concorrência da China, Coreia do Sul e do Sudeste Asiático esteja aumentando, o Japão continua sendo um líder mundial nas áreas de veículos híbridos, instrumentos ópticos e robótica.

A Bolsa de Tóquio é a quarta maior do mundo em capitalização de mercado e a maior da Ásia, em $4,485 trilhões de dólares.

A rápida desaceleração na China e o impacto que isso está causando no comércio regional, tem dificultado qualquer recuperação real do crescimento econômico japonês.

O consumo interno compreende cerca de 60% da atividade econômica no Japão. O declínio total no segundo trimestre, de 0,08%, foi o dobro do que os analistas previam. Esta foi a primeira queda desde o segundo trimestre de 2014, quando um aumento nos impostos sobre vendas internas teve um enorme impacto negativo sobre os gastos dos consumidores.

Um declínio de 0,03% foi observado nas exportações, já que a demanda da Ásia e dos Estados Unidos para bens japoneses caíram. No geral, estima-se que o crescimento para o ano caia ainda mais, ficando em apenas 1,5%. O governo japonês está sob uma tremenda pressão para retomar o crescimento da sua economia. A resposta do governo poderá vir em forma de mais estímulos monetários e fiscais até o final do ano.

A atual administração do primeiro-ministro Shinzo Abe apostou seu futuro político em retomar o crescimento da economia, através de políticas que irão garantir uma maior atividade econômica. A estratégia foi apelidada de Abenomics, e é baseada em uma enorme rodada de gastos para estimular a economia, flexibilização quantitativa e também reformas estruturais. O primeiro-ministro colocou esse plano em prática logo após ganhar a reeleição, em dezembro de 2012. O governo está trabalhando em cima desses três itens a fim de aumentar a inflação, os gastos do governo e recuperar o crescimento, depois de quase duas décadas de estagnação econômica.

Taxa de crescimento real do PIB 1956 a 2008

A baixa taxa de consumo é em parte atribuível ao aumento dos preços dos alimentos. Em grande parte, esse aumento é resultado das políticas adotadas pelo Banco do Japão (BOJ). O enfraquecimento do iene acabou elevando o preço dos importados. O imposto sobre bens de consumo, em 8% desde 2014, ante 5% antes disso, também ajudou a frear os gastos dos consumidores. O aumento de 2% do imposto, que irá elevar o total para 10%, tinha sido agendado para entrar em vigor durante 2015, mas já foi adiado. Este adiamento foi devido ao lento crescimento do consumo, que ficou abaixo das expectativas para 2015.

Em 2013, através da flexibilização quantitativa, o Japão comprou entre 70 a 80 trilhões de ienes em títulos do governo. Para 2014, o montante comprado foi de 80 trilhões de ienes, o equivalente a $679 bilhões de dólares, no câmbio atual. O mesmo deve se repetir esse ano.

Outra dose de afrouxamento monetário baixaria ainda mais o valor do iene, que por sua vez só iria servir para aumentar ainda mais os preços dos alimentos e outros produtos de consumo. Uma taxa maior de expansão monetária poderia causar um dano ainda maior ao valor do iene. No momento, o BOJ está hesitante em aprovar uma nova rodada de flexibilização quantitativa, na ausência de mais reformas estruturais e menores gastos do governo.

Alcance das exportações japonesas no mundo.

A economia do Japão expandiu em apenas 2% desde o final de 2012, apesar do estímulo fiscal de cerca de 3% do PIB durante o mesmo período. O custo de vida acabou aumentando como resultado de políticas governamentais para combater a deflação, mas os salários não aumentaram no mesmo ritmo. Este tipo de situação só diminui os gastos dos consumidores.

O governo japonês continua a pressionar as empresas que têm bastante dinheiro a aumentar os salários e expandir os seus gastos de capital. É muito improvável que isso aconteça, uma vez que a demanda por exportações japonesas está atualmente em declínio. Na verdade, é mais provável que o oposto ocorra já que os pedidos e a atividade industrial no geral estão diminuindo.

Mais gastos fiscais, embora cada vez mais provável nas presentes circunstâncias, também é problemático. A dívida do governo japonês em relação ao PIB, que já é uma das mais altas do mundo, aumentou de 211,17%, em 2012, para 230% em 2014. Em comparação, a dívida do governo dos Estados Unidos estava em 102,98% do PIB no ano passado. No final de 2014, a Zona do Euro em seu conjunto estava em 91,90%.

Representação gráfica das exportações de produtos do Japão.

O défice orçamental do Japão no ano passado ficou igual a 7,70% do PIB. Ele tem estado acima de 8% desde 2010. Está cada vez mais difícil para o governo seguir sustentando esses elevadíssimos níveis de dívida. A taxa na maioria dos países europeus é metade da taxa japonesa. A dívida do governo dos Estados Unidos está prevista para ser apenas 2,6% do PIB, em 2015.

A promessa de um orçamento equilibrado até 2020/21 torna-se cada vez mais ilusória, à medida que há cada vez mais pressão política para se gastar mais dinheiro, afim de estimular ainda mais a economia. Várias agências de crédito mundiais já vem ameaçando, desde o final de 2014, a baixar a classificação A+ da crescente dívida do governo japonês. O atraso para colocar em vigor o aumento de 2% no imposto sobre bens de consumo, só aumentou a especulação das agências de crédito internacionais, sobre o Japão começar a gastar com mais diligência.

O maior item no orçamento japonês são os gastos com programas sociais. Isto não é de se surpreender, considerando as atuais tendências demográficas do país. Ou seja, baixo índice de imigração e uma sociedade que envelhece rapidamente. A população do Japão, que era de 127 milhões de habitantes em 2014, já está em declínio. A redução registrada foi de 271.058 pessoas no início deste ano e, está previsto que ela irá aumentar dramaticamente nas próximas décadas. Estima-se que a taxa chegue a 700 mil em 2025 e, atinja um máximo de um milhão ou mais de habitantes em 2060.

Mudanças na população do Japão

Uma força de trabalho em declínio e uma população cada vez mais idosa só vai dificultar ainda mais o crescimento da economia japonesa. Embora o governo japonês seja a favor da imigração, esta ideia ainda é impopular entre a maioria dos eleitores. O número de estrangeiros vivendo no Japão subiu apenas 59.528 no ano passado.

Tal como acontece com a imigração, novas mudanças estruturais estão se tornando cada vez mais difíceis. Isso ocorre porque muitas das reformas vão contra a cultura e a Qualquer tentativa de ir para a frente com o terceiro item da Abenomics, reformas estruturais, tem sido quase sempre sufocada por lobbies de interesses especiais. No entanto, a necessidade de mudanças está cada vez mais evidente.

A incapacidade de promover um maior crescimento na economia japonesa está tendo consequências práticas. Em 1989, por exemplo, apenas 4% do mercado de ações japonês era detida por estrangeiros. Esse número já ultrapassa 30% hoje em dia. Isso coloca maior ênfase em uma agenda de reformas, porém, até hoje esse tema vem se arrastando.

Centro financeiro em Tóquio, capital industrial e política do Japão.

O inflexível mercado de trabalho japonês está drenando a economia. Quase 5 milhões de empregados em período integral ocupam cargos redundantes, mas, eles não podem ser removidos de suas posições. Isto é assim independentemente de qualquer pacote de indenização possível. Dois quintos dos trabalhadores japoneses são relegados a cargos incertos e de baixa remuneração, em especial os jovens e as mulheres. Normalmente os estrangeiros encontram grande dificuldade em conseguir emprego no Japão.

O serviço público, por si só, é um grande empecilho para a mudança. Grupos de interesses, de produtores à profissionais de todos os tipos, irão se opor de uma forma ou de outra a um extenso pacote de reformas. Quaisquer mudanças que venham ser aprovadas serão menores e implementadas aos poucos, com as várias concessões diminuindo muito o impacto. As reformas estruturais terão de ser forçadas em muitos grupos, que provavelmente irão resistir às alterações mais radicais das práticas mais populares.

O primeiro-ministro Abe falando sobre suas políticas econômicas em um discurso em Londres, Junho de 2013.

Dos três itens de Abenomics, dois já atingiram os seus limites práticos. Mais flexibilização monetária e gastos com estímulos não irão criar o impulso necessário para levar o país de volta ao crescimento econômico. Na verdade, essas alternativas chegaram a um ponto em que novos esforços poderiam acabar causando grandes danos a economia do Japão. A única opção restante seria uma grande reforma estruturas da economia japonesa.

Apesar dos novos desafios apresentados por uma China em ascensão e uma América em declínio, no leste da Ásia o Japão vai continuar encontrando grande dificuldade em fazer as reformas funcionais necessárias para alterar a presente dinâmica. Para que o Japão consiga retomar o crescimento e a prosperidade no século 21, uma mudança radical na forma como a economia está organizada será necessária. Isso vai exigir uma ruptura com muitas práticas empresariais e comerciais atualmente em uso, que serviram bem o Japão no passado, mas não mais. Sendo assim, futuras mudanças serão necessárias para que o país consiga retomar o crescimento sustentável.

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