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O Bear Market já está quase aqui

O urso começou a circundar os mercados globais na última terça, que provou ser o início de uma grande recessão. Até o final da semana de negociação as ações e os títulos se encontravam em território de correção, tendo perdido 10,1% de valorização desde maio passado. Nos Estados Unidos, somente o DJIA (Dow Jones Industrial Average) perdeu 5,8% em quatro dias.

Os mercados fora dos Estados Unidos não foram muito melhores, tanto com a Ásia como a Europa reportaram grandes declínios. Os investidores estavam otimistas de que a nova semana traria certa recuperação. Todavia, as esperanças deles acabaram na segunda-feira, com o quase pânico que tomou conta do mercado de ações chinês. Até o final do dia, o Shanghai Composite Index caiu em mais 8,5%.

Shanghai Stock Exchange

A correção era inevitável, devido a desaceleração do crescimento no mundo desenvolvido e o advento das ruins condições, perto de recessão, dos principais mercados emergentes. Os fundamentos econômicos simplesmente não conseguiram sustentar os valores das ações que figuravam nas principais bolsas de valores ao redor do mundo. As políticas de dinheiro fácil, com rodadas de flexibilização quantitativa e taxas de juros próximas de zero, têm cada vez mais limitado as opções para os investidores.

Uma quantidade crescente de riqueza estava sendo concentrada no mercado de ações. Outros tipos mais tradicionais de investimentos tornaram-se impopulares, devido ao retorno quase nulo que eles passaram a oferecer.

Poupadores tradicionais estavam sendo punidos, já que os bancos centrais estavam baixando as taxas de juros em vários países. A compra de ações foi um dos poucos tipos de investimentos, que permitiam uma razoável taxa de retorno ao investidor, que restaram.

Bolsa de valores da Colômbia

O colapso dos preços das commodities, como resultado da diminuição da demanda nas economias em desaceleração do mundo, pôs fim ao crescimento econômico de muitos mercados emergentes. A América Latina está sofrendo muito com essa nova realidade. As moedas da região, no geral, já desvalorizaram mais de 20% desde meados de 2014.

Os preços das commodities tinham aumentado em quase 300% durante os anos de 2003 à 2011, trazendo um ótimo crescimento para toda a região. O crescimento econômico da América Latina caiu para apenas 1,3% no ano passado. Para 2015, a atual previsão de crescimento é de menos de 1%.

Nos Estados Unidos, esperava-se que o início de uma nova semana traria uma grande recuperação no mercado de ações. Em vez disso, o que ocorreu foi o que está seno chamado agora de Black Monday (segunda-feira negra). Os futuros, antes da abertura do mercado, indicaram outra queda de 5%, com a possível perda de mais 800 pontos. Então o mercado caiu 1.089 pontos, registrando uma queda de mais de 6% no início do pregão.

DJIA (de 19 de junho, 1987 até 19 de janeiro, 1988).

A temida queda de 7% que traria uma suspensão automática das negociações não ocorreu, mas chegou perto. Isso acabou sendo uma das maiores quedas em um único dia na história do mercado de ações americano. O pregão terminou com uma perda de 588 pontos ou, uma queda de mais 3,58%. Foi a maior queda em um dia desde agosto de 2011.

O DJIA já caiu 10,95% para o ano. Das 30 ações no compósito, 40% delas estão agora no que é considerado como Bear Territory, ou território do urso. Isso é quando as ações sofrem uma queda de 20% ou mais nos mercados.

A NASDAQ, a segunda maior bolsa de valores do mundo após a New York Stock Exchange (DJIA), também sofreu sua maior queda desde 2011. O índice caiu em 11,74% em uma semana e 4,43% para o ano. O S&P Composite teve uma queda correspondente a 10,01% para os últimos cinco dias e, uma perda de 8,05% para o ano.

O pregão da NYSE nos Estados Unidos.

O mercado americano abriu na terça-feira com a antecipação de um grande salto nas ações. Os futuros indicavam um ganho de 619 pontos ou 3,94%. No começo do dia os mercados chineses sofreram outra queda. O Shanghai Composite mergulhou outros 7,6%, e o Índice de Shenzhen caiu 7,2%.

Em resposta, o governo da China iniciou outro corte das taxa de juros, de 0,25%. Foi a quinta redução desde novembro do ano passado, deixando a nova taxa em 4,6%. Considerando-se que a taxa na maior parte do resto do mundo está igual ou próxima de zero, a China ainda tem um certo caminho a percorrer na redução das taxas de juros.

O dia estava indo bem o suficiente na terça-feira até a última hora do pregão, quando o mercado despencou 500 pontos, ou um total de 3,10%, nesse curto período de tempo. Em vez de se recuperar, o mercado acabou fechando com algumas centenas de pontos a menos do que no dia anterior. Quase $2.000.000.000.000 de dólares (Dólar dos Estados Unidos) em riquezas já tinham sido dizimados somente nos Estados Unidos.

O dia iniciou na quarta-feira com a notícia de que o Federal Reserve estava propenso a adiar mais uma vez a elevação da taxa básica de juros. O mercado respondeu a essa notícia com uma grande retomada, que foi a maior em sete anos e a terceira maior da história dos Estados Unidos. Em mais de 619 pontos, a retomada foi equivalente a um ganho de 3,95%, sendo que agora os observadores do mercado podem estar pensando que o perigo passou. Todavia, a volatilidade da semana passada é um indicativo de que eles estão errados. Isto não é verdade somente nos Estados Unidos, mas em todo o mundo também.

1 RMB chinês para dólar norte-americano, desde 1981.

A China já havia sofrido com perdas que excederam 2,4 trilhões de dólares no início do mês passado. Apesar da intervenção do governo chinês, o declínio já havia ultrapassado 30% desde o pico do mercado no início de junho. No momento as perdas já estão se aproximando de 50% e, o governo chinês está começando a ficar desesperado, tentando achar uma maneira de impedir que o mercado sofra um colapso generalizado.

Isso é reflexo da economia da China, em geral. O crescimento já diminuiu para um ritmo mais lento, em 25 anos, com a taxa atualmente em 7% de acordo com as autoridades chinesas; é bastante provável que a economia passará a crescer a um ritmo muito mais lento daqui para frente. O regime chinês poderá ter que enfrentar uma recessão logo à frente.

A China é responsável por 15% da produção mundial e se a economia cair em direção a um crescimento negativo, a demanda mundial por commodities vai cair ainda mais. Isso terá repercussões negativas em vários mercados nos países emergentes. Muitas matérias-primas, como metais e energia, já chegaram aos seus níveis mais baixos em seis anos. Isto está tendo um efeito negativo nas bolsas de todo o mundo, à medida que os investidores abandonam as empresas envolvidas na extração e processamento de recursos naturais.

Ciclo de negócio com forças específicas, em quatro estágios, de acordo com Malcolm C. Rorty, 1922.

A China é um bom exemplo do limitado efeito que intervenções por parte do governo podem ter em um mercado em apuros. Os reguladores chineses têm dirigido a infusão maciça de mais dinheiro nas bolsas, na esperança de uma reviravolta. Gastos com estímulos nas bolsas e na economia em geral, têm aumentado enormemente o total da dívida em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). A taxa, que era de 150% em relação ao PIB em 2008, passou para 250% este ano.

Os mercados de ações na China, Europa, Japão, América Latina, Sudeste da Ásia, Estados Unidos e em outros lugares são apenas um reflexo da economia mundial em geral. O crescimento global, que estava previsto em 3,5% para 2015, já foi revisto e rebaixado para 2,8%.

No momento existem temores de que outro rebaixamento irá ocorrer mais tarde este ano, à medida que vai crescendo o número de importantes economias mundiais que correm risco de crescimento negativo. Os lucros das empresas também irão diminuir, aumentando ainda mais a pressão em um ambiente tão conturbado. Os investidores precisam se acostumar com a realidade de retornos muito mais baixos, à medida que a demanda cai ainda mais, em face de ventos econômicos negativos.

A Nikkei 225 Japonesa

O Japão é o exemplo perfeito de quão limitado o efeito pode ser, apesar de uma contínua, e maciça, intervenção governamental feita com o intuito de aumentar o consumo interno. A estagnação econômica no país já dura mais de duas décadas, apesar da infusão maciça de dinheiro e uma economia cheia de dinheiro. Os japoneses acabaram com a maior taxa de dívida em relação ao PIB do mundo, atualmente em 240% e, continuam a aumentar esta taxa rapidamente.

A Europa também está lutando com anos de baixo crescimento e uma enorme dívida, em que a manipulação da moeda, taxas de juros perto de zero e flexibilização quantitativa, por si só, não irão mudar a situação.

Independentemente da quantidade de dinheiro gosto com estímulos, taxas de juros mais baixas e esforços envolvendo flexibilização quantitativa, o crescimento econômico mundial está esfriando. A necessidade de se manter competitivo no comércio internacional, através de sucessivas rodadas de desvalorização cambial, pode acabar levando os países a entrarem em uma guerra cambial geral.

A maioria dos países deseja estimular o crescimento através do aumento das exportações, mas o mundo está inundado com um excedente de bens e serviços. Há pouca demanda por mais, sendo assim a competição vai aumentar nos mercados em que ela existe.

Isso é tudo vai acabar acarretando em uma grande correção nas maiores bolsas do mundo, o que, finalmente, vai convencer muitos investidores a abandonar o mercado de ações. Isso, por sua vez, vai dar início ao bear market que provavelmente vai chegar no final deste ano. Em seguida, uma recessão terá início, que logo irá engolir a maior parte das principais economias do mundo, em 2016.

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