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O atual “beco sem saída” econômico na política esquerdista latino-americana

Durante o boom de commodities que ocorreu no mundo nos últimos anos, havia pouco ímpeto para reformas econômicas e financeiras na América Latina. A economia mundial estava gerando crescimento suficiente para tirar cerca de 60 milhões de pessoas da pobreza extrema, isso somente na América do Sul. A classe média foi crescendo rapidamente, com os investidores da região e de todo o mundo, reuniram-se para investir nos recursos naturais que estavam sendo explorados. O crescimento médio durante estes anos foi de 4%, permitindo a possibilidade de que vários desses países pudessem se juntar aos países do primeiro mundo.

O preço mundial das commodities aumentou em 300%, somente durante os anos de 2003 a 2011. Isso gerou uma enorme riqueza em vários países. O Chile já tinha passado de emergente a status de avançado com relação a desenvolvimento econômico. A Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Uruguai, e uma série de outras nações pareciam estar à espera nos bastidores.

Rumo a uma economia mais equilibrada. Produto interno bruto da Colômbia por setor, para o segundo semestre do ano de 2015.

Infelizmente, grande parte desse desenvolvimento econômico era excessivamente dependente do comércio de commodities. Caso a demanda por essas commodities começasse a diminuir, tal fato com certeza iria trazer problemas para toda a região da América Latina. Durante os anos de abundância, esses países deveriam de ter tomado medidas para reestruturar suas economias. Isso teria proporcionado crescimento sustentável, mesmo depois que a bonança das commodities terminasse.

A América Latina, como um todo, nunca conseguiu capitalizar sobre os períodos de prosperidade que ocorreram no passado. A riqueza ficou concentrada em muito poucas mãos e, os investimentos foram desviados para a extração de recursos naturais e as exportações agrícolas. O boom que ocorreu no início deste século revelou-se bastante similar. Em muitos países da região as reformas só saem do papel quando as circunstâncias econômicas forçam uma mudança na política.

Durante grande parte da segunda metade do século 20, a liderança política na América Latina tem estado mais preocupada com a redistribuição da riqueza, ao invés de como gerar crescimento sustentável. A população tem sido repetidamente seduzida pela promessa de prosperidade, proveniente de esquemas de desenvolvimento que são patrocinados pelos governos

América Latina

Muitas destas estratégias, apoiadas pelos regimes, resultaram em uma grande má alocação de recursos. A gestão desses negócios, comandados por elites políticas e de empresas privadas, resultou em corrupção e capitalismo clientelista em uma escala generalizada. A estreita cooperação entre esses conglomerados e o funcionalismo do governo encoraja a ineficiência e a falta de inovação.

À medida que a democracia continuou a se espalhar durante a segunda metade do século 20, os políticos latino-americanos aprenderam a adquirir e manter o poder, prometendo aos eleitores uma fatia cada vez maior das riquezas do governo. Isso foi gradualmente comendo uma quantidade cada vez maior dos recursos destinados a infraestrutura, desta forma impedindo uma maior expansão do mercado privado.

O quase colapso nos preços das commodities fez com que o crescimento econômico na região diminuísse para apenas 1,3% em 2014, sendo que o mesmo indicador está estimado para cair de 1% ainda este ano. Este será o quinto ano consecutivo de desaceleração do crescimento. A América Latina, como um todo, é muito dependente das exportações de commodities, de modo que a desaceleração da economia mundial tem sido particularmente difícil para a região. O declínio geral tem sido muito maior do que em qualquer outro mercado emergente.

O acentuado declínio no crescimento econômico coincidiu com uma queda acentuada dos investimentos, que vêm diminuindo desde 2011. Os investidores estrangeiros decidiram retirar o seu dinheiro da região já que o comércio de commodities se tornou menos lucrativo. Os mercados financeiros da América Latina têm testemunhado a retirada do equivalente a centenas de bilhões de dólares norte-americanos. As bolsas de valores de toda a região estão e queda, já que os investimentos estrangeiros estão estagnados.

Mapa de países e dívida externa, em percentagem do PIB.

Outro efeito colateral desta nova realidade econômica é a rápida depreciação das moedas nacionais em toda a região, sendo em média, de 20%. É um claro reflexo da fraqueza econômica que está permeando através da América Latina. Várias tentativas de fortalecer as moedas, individualmente, foram frustradas, servindo somente para diminuir as reservas cambiais. A desvalorização das moedas é meramente um reflexo do amplo declínio na saúde econômica desses países.

Os governos esquerdistas da região têm poucas respostas para mudar as coisas, exceto a propor mais gastos a fim de estimular as economias; o que tem o efeito colateral de aumentar ainda mais a dívida pública, tanto em nível estadual quanto em nacional. Estes gastos ainda por cima estão ajudando a desvalorizar ainda mais as moedas da região. A fim de evitar isso, vários países instituíram controles de capital, que tem o efeito perverso de afugentar completamente o investimento estrangeiro.

As políticas socialistas, que eram tão populares durante o tempo do boom das commodities, são simplesmente inviáveis nessas novas condições econômicas. Vários dos governos que conseguiram chegar ao poder salientando a necessidade de acabar com a injustiça econômica e promovendo maior igualdade social, são simplesmente inaptos a gerir os países durante essa época de vacas magras.

Quanto mais desses governos tentam controlar suas respectivas economias, é cada vez maior a probabilidade de que o investimento privado continuará a ser sufocado. Nem a liderança política, nem uma porção considerável do eleitorado, enfrentarão a realidade de que não se pode legislar a prosperidade. Tudo o que um governo pode fazer é proporcionar um ambiente adequado, onde tanto o investimento quanto as oportunidades econômicas podem prosperar.

Fazendo campanha com o marido, o então presidente Néstor Kirchner, e seus respectivos companheiros de chapa, Daniel Scioli e Julio Cobos.

A Argentina está enfrentando uma eleição presidencial este mês. O time esquerdista constituído por “marido e esposa”, que vem dominado a política no país desde o ano de 2003, vai finalmente chegar ao fim este ano. Anos de má gestão econômica e manipulação da moeda, arruinaram a economia doméstica. A inflação foi oficialmente registrada em 14,70% em agosto, mas muitos teorizam que na realidade ela está muito mais alta. No início do ano ela estava perto de 24%. Os níveis de desemprego também aumentaram. O país tem sido constantemente acusado de “melhorar” as estatísticas econômicas oficiais.

Apesar do desastroso histórico econômico da presidente Cristina Fernández de Kirchner, que está no poder desde 2007, o partido político que ela representa está à frente nas pesquisas. Sua constante batalha com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e os credores internacionais, têm causado uma fuga maciça de capital estrangeiro da Argentina. O país é atualmente considerado um investimento de alto risco e está lutando com enormes déficits orçamentários, que encabeçam mais de 5% do PIB (Produto Interno Bruto), além do crescente aumento da dívida pública. O país cumpre as suas obrigações financeiras através de grandes empréstimos provenientes do banco central. A situação atual é claramente insustentável.

Dilma Rousseff com Lula durante a campanha presidencial de 2010.

Já o Brasil, a maior economia da América Latina e a segunda maior no Hemisfério Ocidental, depois dos Estados Unidos, está sofrendo com o colapso nos preços das commodities. Embora o país continue a ser a sétima maior economia no mundo, em 1,9 triliões de dólares (Dólar dos Estados Unidos), está no momento entrando em uma recessão que parece que irá durar por muito tempo ainda. O PIB deverá encolher 1,2% este ano e, ainda mais em 2016. O desemprego também está aumentando rapidamente. Foi reportado em 7,6% em agosto, quase 77% maior do que os 4,3% que foram registrados em dezembro do ano passado.

Infelizmente para os brasileiros, a atual presidente esquerdista, Dilma Rousseff, foi reeleita para um segundo mandato em outubro do ano passado. No entanto, é cada vez mais provável que ela será cassada antes de terminar o seu segundo mandato. O mais recente escândalo é a manipulação do governo incumbente das contas fiscais durante o ano de 2014, quando fizeram uma manobra conhecida por ‘pedalada fiscal’, ou usaram recursos de bancos públicos para inflar artificialmente os resultados do governo e melhorar as contas da União, o que ajudou a presidente a vencer as eleições para um segundo mandato. Isto é além das acusações de corrupção em seu governo em relação à gigante estatal do petróleo Petrobras. Como a maior produtora de energia do Brasil, a empresa, aparentemente, foi envolvida em um esquema gigantesco de subornos, que remontam ao atual governo.

O real brasileiro já desvalorizou cerca de 30% desde o ano passado. Provavelmente a moeda irá continuar desvalorizando, à medida que o país continue em direção a uma maior contração econômica em 2015, e também em 2016. Esta já é a pior recessão dos últimos 25 anos. Manchada por acusações de corrupção e incompetência, a presidente Dilma Rousseff vai lutar para conseguir ficar no poder. Sua receita para lidar com o aumento do déficit é um plano de aumento de impostos, o que é bem difícil de vender em uma economia que está em rápido declínio. O país recebeu uma redução da sua nota de crédito no mês passado pela Standard & Poor, como resultado do aumento déficit fiscal nos gastos públicos.

Metro de Santiago, atualmente o sistema de metro mais extenso da América do Sul.

No uma vez próspero Chile, a situação não é muito diferente. Dois anos após sua reeleição, a presidente Michelle Bachelet tem apenas 20% de aprovação. Como o maior exportador mundial de cobre, a economia chilena está sendo muito afetada com a desaceleração econômica na China e no mundo em geral. A corrupção nos mais altos níveis do governo, juntamente com uma economia em ritmo lento, provavelmente irá melar seus planos de levar a economia mais para a esquerda.

A Presidente Bachelet estava promovendo reformas na constituição, educação, trabalho e arrecadação de impostos, para lidar com o que ela considera ser a desigualdade crônica que existe no Chile. Como uma política de centro-esquerda, a Presidente queria uma nova constituição, sindicatos mais fortes, educação gratuita a nível universitário e um novo sistema de impostos, que iria pagar por tudo. Sua intenção é aumentar as receitas do governo em 3% do PIB até 2018. Uma tarefa difícil em uma economia que está se arrastando.

Os líderes de Bolívia, Brasil e Chile, dando as mãos durante cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em 2008.

A situação na Venezuela socialista é terrível. O PIB irá contrair em mais 7% este ano, se não mais. A taxa de inflação real é de 150% e pode ficar mais alta ainda. A quase ausência de moeda estrangeira na economia, apesar da riqueza gerada anteriormente através do petróleo, está fazendo com que fique praticamente impossível importar produtos. Mesmo com um regime cada vez maior de racionamento, a escassez de bens de consumo não está sendo abatida.

Pior ainda, a impossibilidade de importar insumos necessários para a fabricação de produtos causou uma paralização virtual da economia. A única resposta que vem do governo central é uma intrusão maior no setor privado. Não está claro quanto tempo o sucessor de Hugo Chávez será capaz de manter o poder. O Presidente Maduro, que está no cargo desde 2013, não tem nenhuma resposta para a atual situação, a não ser continuar como está indo. Para mostrar a profundidade da crise, o país deixou de publicar estatísticas econômicas regulares desde dezembro do ano passado.

Presidente Maduro, da Venezuela

Um calote da dívida soberana com está cada vez mais provável na Venezuela. O déficit orçamentário atual está em 24% do PIB e continua a aumentar. Para continuar a funcionar, o governo já pegou emprestado o equivalente a $45 bilhões de dólares da China. O governo também vem imprimindo toneladas de dinheiro. Tanto que a moeda nacional se tornou praticamente inútil.

A situação econômica é praticamente a mesma nos governos de esquerda na Bolívia, sob o comando de Evo Morales e do Equador, sob o comando de Rafael Correa, que estão nos cargos desde 2006 e 2007, respectivamente. Fora da América do Sul, a República Dominicana, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica estão sendo prejudicadas por seus governos em diferentes graus, que querem continuar com as velhas políticas cansados de programas sociais, que já não são mais viáveis. No final, esses países ficam sobrecarregados com dívidas insustentáveis e, com economias que permanecem pouco competitivas na arena internacional.

O problema para a maior parte da América Latina foi a falta de investimento em infraestrutura e manufatura durante os anos de expansão econômica. Os gastos com infraestrutura no geral responderam por apenas 3% do PIB. Isso é metade do que a Índia gasta e um terço do que a China investe. Vai ser difícil de conseguir isso agora no presente período de reajuste e contração. As enormes somas gastas em importações aumentaram em muito os gastos do consumidor, mas fizeram pouco para investimentos a longo prazo e sustentabilidade econômica.

Cúpula da Unasul no Palacio de la Moneda, Santiago do Chile.

Com as crescentes dificuldades financeiras da região, como um todo, fica improvável que somente estímulos fiscais e políticas monetárias irão trazer crescimento e prosperidade de volta para estes países. A baixa taxa de investimento e de poupança, agora em apenas 20%, vai impedir qualquer aumento significativo da produtividade. Por sua vez, isto acabará impedindo aumentos salariais e melhores oportunidades de emprego para a população da América Latina, que continua crescendo.

As sombrias perspectivas econômicas para a América Latina irão forçar os eleitores de vários desses países a finalmente buscar alternativas. É provável que eles serão mais receptivos de políticas focadas para o investimento e crescimento econômico sustentável. É fácil prever que haverá mudanças nas políticas governamentais em um futuro próximo, juntamente com grandes mudanças nas lideranças de vários dos países da região.

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