Day Trading Academy

Mudanças no cenário político da América do Sul irão beneficiar os investidores

A maré está virando na América do Sul em alguns dos mais importantes países do continente. As eleições na Argentina e turbulência política no Brasil; já o Chile e a Venezuela finalmente irão fazer mudanças que serão benéficas para os investidores. A eleição presidencial no Peru será em apenas alguns meses. O quase colapso da demanda por commodities causou uma desaceleração tremenda das economias da região. Estratégias para promover o crescimento econômico e também o investimento estão se tornando cada vez mais populares entre o eleitorado, mais até do que as ideias de redistribuição de riqueza.

A América do Sul mudou significativamente nas últimas duas décadas, desde que os líderes populistas de esquerda entraram no poder. Hugo Chávez, da Venezuela, se elegeu em 1998, seguido por Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, a partir de 2002. Os Kirchner entraram no poder na Argentina no ano seguinte. Evo Morales tomou posse em 2005 na Bolívia e, Rafael Correa no Equador no ano seguinte. Todos estes líderes políticos foram beneficiados por economias prósperas, que foram o resultado do rápido aumento dos preços das commodities e uma forte demanda da China.

Mapa da América do Sul

Por sua vez, isso financiou uma expansão massiva em programas sociais e programas de redução da pobreza. Novos postos de trabalho foram criados, enquanto outras oportunidades de investimento também foram surgindo. A recente recessão econômica e as acusações de má gestão, bem como de corrupção, abalaram significativamente o apoio dos eleitores para este grupo em geral.

Os modernos movimentos políticos estes indivíduos fundaram, estão atualmente tendo que lutar muito para se manterem no poder. Os países da América do Sul estão tendo que enfrentar as menores taxas de crescimento dos últimos tempos. A região como um todo, está enfrentando algumas das taxas mais lentas de desenvolvimento desde a década de 1990.

O nível da dívida pública acumulada antes e durante o boom das commodities, está se mostrando um fardo muito pesado para os orçamentos de muitas dessas nações. O problema para a liderança política nesta parte do mundo são os mesmos. Como lidar com as crescentes expectativas dos cidadãos, com uma economia em declínio em meio a uma crise fiscal. Grande parte da culpa está sendo colocada na queda da demanda chinesa sobre os produtos e commodities da região.

A queda nos preços do petróleo no mercado internacional, assim como a alta do dólar norte-americano, está agravando ainda mais a situação. A estratégia de assumir mais dívidas em dólares (Dólar dos Estados Unidos) durante a Grande Recessão de 2008 e 2009, está acabando com várias moedas da região.

A alta do dólar está fazendo com que essas dívidas fiquem muito mais difíceis de serem pagas, e a desvalorização das moedas da região, está fazendo com a inflação cresça com toda a força nesses países.

Para piorar a situação, muitas das grandes empresas da América do Sul também decidiram fazer dívidas usando o dólar como meio de troca. Como as receitas fiscais provenientes de commodities diminuíram, as despesas com gastos sociais aumentaram.

Em média, as rendas dos governos provenientes deste tipo de comércio, já diminuíram cerca de 9%. Os saldos orçamentais para a América Latina em geral, passaram de um superávit primário no PIB (Produto Interno Bruto) de 2% em 2008, para um déficit primário de 1,5% em 2013 e 2014. O défice aumentou durante o ano de 2015 e vai subir ainda mais em 2016 .

Macri durante uma conferência em 2013.

As eleições presidenciais na Argentina que ocorreram este mês, foram um exemplo perfeito das mudanças políticas que estão ocorrendo. A presidente de centro-esquerda que está deixando o cargo, Cristina Fernandez de Kirchner, vinha promovendo o Sr Daniel Scioli para sucedê-la. O sucessor escolhido não conseguiu vencer durante o primeiro turno, pois no final a eleição acabou sendo muito competitiva.

Os resultados foram totalmente em contradição com o que todas as pesquisas vinham indicando. A próxima fase da eleição será em 22 de novembro. No entanto, o candidato mais conservador, Mauricio Macri, parece estar indo melhor do que seu concorrente, pelo menos por enquanto.

Em uma péssima noite para o partido peronista atualmente no poder, o controle do governo da província de Buenos Aries, onde 1 em cada 4 argentinos vivem, também foi perdido. Eles também perderam as eleições em Córdoba, a segunda maior cidade do país. O partido amargou os piores resultados nas urnas desde que os Kirchner assumiram o poder em 2003.

Cristina em campanha com o marido, o então presidente Néstor Kirchner (em saída), e seus respectivos companheiros de chapa, Daniel Scioli e Julio Cobos.

O eleitorado na Argentina está inquieto. O PIB está caindo cada vez mais, e, não existe nenhum crescimento da economia. A inflação está subindo, agora se aproximando de 25%, e o desemprego também só está aumentando. As exportações têm caído cada vez mais, mesmo com a desvalorização da moeda argentina. A dívida pública está se tornando um peso cada vez maior para a economia local. Este ano, o défice orçamental deverá ser de 6% do PIB, uma taxa que é totalmente insustentável.

O próximo presidente terá de, finalmente, lidar com os credores estrangeiros, independentemente das atuais promessas de campanha. O nacionalismo econômico fez sua parte na atual estagnação. A manipulação dos indicadores econômicos pelo atual governo, não inspira a confiança dos investidores, e também não traz mais dinheiro estrangeiro para a economia.

Maiores cortes de gastos, assim como taxas de juro mais elevadas para lidar com a inflação, serão necessários para o país conseguir lidar com a crise fiscal e monetária, que ainda não chegou ao seu ápice. O país vai entrar em recessão, porém, só então poderá voltar a crescer.

No Brasil, a presidente Dilma Rousseff, que foi a herdeira política do ex-presidente Lula, está enfrentando acusações de corrupção e também uma recessão, que não para de piorar. Reeleita em outubro do ano passado, agora ela está tendo que enfrentar a ameaça de um impeachment, que seus opositores estão trabalhando para que saia.  A popularidade da presidente está em baixa, fazendo dela o líder mais impopular entre os brasileiros desde que a democracia foi restaurada em 1985.

Dilma Rousseff com Lula durante a campanha presidencial de 2010

No início deste ano a presidente Dilma Rousseff tinha prometido que iria fazer todo o possível para restaurar a ordem fiscal. Todavia, ela se recusa a admitir que os gastos extravagantes que seu governo fez durante o primeiro mandato, assim como as promessas eleitorais feitas para garantir o segundo, também são responsáveis pelo atual desastre econômico.

Generosas pensões pagas pelo governo, transferências de dinheiro abundantes, os subsídios à energia e os aumentos salariais, ajudaram milhões de brasileiros. No entanto, toda essa gastança fez com que o governo ficasse com um enorme déficit orçamentário, direitos insustentáveis ​​e falta de dinheiro para infra-estrutura. A situação foi agravada pelos empréstimos desnecessários que tanto o governo quanto as empresas brasileiras fizeram durante os anos de vacas gordas, que agora têm que ser pagos.

Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, falando sobre o programa.

A moeda brasileira está atingindo mínimas históricas, desvalorizando 35% somente este ano. O desemprego já atingiu o maior nível em 5 anos. A incapacidade de reformar a estrutura tributária e as leis trabalhista, quando a economia estava indo bem, está dificultando a recuperação do crescimento agora. O modelo econômico que depende de grande consumo interno como combustível para o crescimento não está mais funcionando.

A presidente foi acusada de manipular dados do governo, a fim de conseguir se reeleger no ano passado. O escândalo de suborno referente a Petrobras, a maior estatal da nação, também manchou a sua imagem. Grande parte da atividade ilegal que ocorreu na empresa aconteceu quando ela era uma das diretoras.

Além disso, o chefe da Câmara dos Deputados está enfrentando acusações de corrupção e, o líder do Senado está sob investigação. A atual turbulência política está ajudando a gerar um impasse legislativo, em detrimento da economia brasileira em geral.

Até mesmo no relativamente estável Chile, a presidente centro-esquerdista Michelle Bachelet, tem uma agenda política que se concentra em três mudanças principais para ajudar a reduzir a desigualdade social. Elas são ensino universitário gratuito para todos, aumento de impostos para pagar por esta reforma e mais poder para os sindicatos trabalhistas no país.

Bachelet com o ex-presidente argentino Néstor Kirchner.

A imagem dela foi manchada por conta de um escândalo envolvendo o seu filho. Com uma reação lenta perante a situação, ao que parece, o filho dela usou de sua influência para obter um empréstimo de $10 milhões de dólares para um negócio. Os críticos do plano político da presidente estão dizendo que ela já está impactando a economia, causando uma diminuição dos investimentos por parte das empresas no mercado interno. Eles também afirmam que as novas leis trabalhistas irão desencorajar o investimento estrangeiro também.

Como o índice de aprovação dela caiu bastante, ela começou a modificar algumas das suas posições. No início deste ano, ela nomeou um novo ministro das finanças, uma pessoa bem respeitada e moderada. De acordo com os planos do novo ministro a reforma tributária será um tanto simplificada e o crédito para investimento será parcialmente restaurado. Além disso, o governo se comprometeu a modificar a nova lei sindical.

O Chile produz mais de um terço do cobre do mundo.

O peso chileno depreciou cerca de 45% desde o início de 2013. O crescimento econômico tem sido lento, menos de 2% ao ano. Os chilenos estão ficando cada vez mais reciosos de que a prosperidade que foi criada durante a geração passada está agora sob ameaça.

A Presidente Bachelet terminará o seu mandato em 2017. Ela ganhou a eleição com 62% dos votos. Sua aprovação está atualmente em 25%. Os pedidos por sua renúncia têm sido ignorados, mas a Constituição do país impede ela de servir por mais um mandato consecutivo. Apesar de seus esforços para modificar a Constituição, isso provavelmente não será feito sob a sua presidência. Todavia, mudanças ocorrerão em breve no Chile.

O Equador foi cenário de muitos protestos no verão passado e o presidente Correa foi forçado a reduzir as perspectivas de crescimento para a economia, que está esfriando rapidamente. Correa irritou muitos eleitores com a introdução de duas novas e controversas leis fiscais. Uma delas é um imposto sobre ganhos de capital de imóveis, a uma taxa de 75%, e a outra é um imposto sobre herança, de 77,5%.

Trabalhadores, sindicalistas e membros do FUT protestando contra as políticas de Correa, em 24 de junho.

O imposto sobre herança foi tão impopular e controverso, que o Presidente suspendeu temporariamente a nova política. Estes novos impostos forem criados a fim de recuperar parte da receita que foi perdida com a queda dos preços do óleo. Levando em consideração que 95% das empresas no país são de propriedade familiar, esta medida teria um enorme impacto sobre a economia do Equador.

Os manifestantes estão comparando estes recentes passos com o que ocorreu na Venezuela e o Presidente Correa com Hugo Chávez. O Presidente também trabalhou para consolidar seu poder, fazendo mudanças na Constituição, e também colocando os seus aliados no Supremo Tribunal do país. Ele também tem atacado dissidentes e vem tentando silenciar a liberdade de expressão através de vários métodos.

O Sr. Correa ganhou um terceiro mandato em 2013 e vai tentar introduzir uma nova alteração antes de 2017, que eliminaria limites do mandato presidencial. Há especulações de que ele irá ficar para um quarto mandato.

O presidente venezuelano Maduro vem presidindo uma economia em colapso, desde a morte de Chavez. Os protestos nas ruas estão crescendo cada vez mais e ele está ficando sem opções, já que o país tem atualmente a maior taxa de inflação do mundo. Em 2016, espera-se que a taxa atinja 161%. A moeda do país ficou praticemente inútil. O governo tem várias dívidas bastante grandes com vencimento para o final deste ano e ao longo de 2016, que certamente ele vai ter dificuldade para pagar.

A Pesidente do Brasil, Dilma Rousseff, recebendo um quadro de Hugo Chávez, de Nicolás Maduro, no Palácio do Planalto, em Brasília.

A economia venezuelana encolheu 4% em 2014, e deverá contrair em 6,6% em 2015 e mais 2,9% em 2016. O governo parou de reportar a maioria dos indicadores econômicos em dezembro de 2014. A escassez de bens básicos está cada vez maior e os roubos e saques estão crescendo em várias partes do país, assim como outros tipos de desordem.

As eleições parlamentares de dezembro prometem ser difíceis para o cada vez mais impopular líder. De acordo com as pesquisas, a oposição fragmentada tem uma chance real de ganhar o controle sobre o Congresso. Devemos notar que o atual sistema eleitoral favorece as áreas rurais, onde o apoio ao governo continua maior do que nas cidades. Assim, mesmo com a oposição conseguindo mais de 50% dos votos, ela ainda pode ser incapaz de derrubar o atual governo.

À medida que a situação econômica na América do Sul continua a se deteriorar, isso vai fazer com que os eleitores exijam cada vez mais mudanças por parte de seus líderes políticos. Isso vai fazer com que muitos políticos do alto escalão, que são incapazes ou não querem se mover em uma nova direção, deixem seus cargos. O caminho certo nesses países é uma política fiscal e tributária sólida, que incentive o investimento e o crescimento.

Post a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *